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Queda na projeção de crescimento econômico prenuncia trovoadas na América Latina

Estudo estima recuo de 0,7% ante a projeção de crescimento de 2,2%, divulgado em abril

Ricardo Aceves
Latino América 21

"A América Latina e o Caribe mantêm uma trajetória de crescimento moderado e sua economia se expandirá em 1,5% em 2018, apesar das incertezas externas". É essa a conclusão do mais recente estudo publicado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). O crescimento moderado a que o estudo se refere representa recuo de 0,7% ante a projeção de crescimento de 2,2% que a organização divulgou em abril. Isso significa que a economia regional crescerá este ano praticamente ao mesmo ritmo que no ano passado.

De acordo com o estudo, a queda se deve principalmente a uma baixa notável no crescimento projetado para a América do Sul, que caiu de 2% para 1,2%, e a um ligeiro ajuste quanto ao México e América Central, que cresceriam em cerca de 2,5%. Já no caso dos países do Caribe, a projeção melhorou ligeiramente, ante o relatório anterior, para um crescimento de 1,7%.

Entre os países, as economias que sofreram maior queda na projeção de crescimento foram a Argentina (de 2,5% para uma contração de 0,3%); o Brasil (de 2,2% para 1,6%); o Equador (de 2% para 1,5%); o Uruguai (de 3% para 2,3%); e a Venezuela (de 8,5% de contração para 12%). Na América Central, o país mais afetado foi a Nicarágua (de 5% para 0,5%), devido ao impacto da crise política que acontece no país.

A recuperação econômica da América Latina está sendo mais lenta do que se esperava devido à situação política complicada de certos países. Depois da eleição presidencial da Colômbia, Ivan Duque reiterou que seu programa de governo girará em torno dos princípios da legalidade, iniciativa empresarial e equidade, mas ele enfrenta o grande desafio de unificar uma sociedade fortemente polarizada e lutar contra a corrupção e o crime organizado.

No México, Andrés Manuel López Obrador enfrenta uma severa crise de segurança, que ele promete solucionar ao combater a pobreza e a corrupção. Se bem existam esperanças, não há garantia de que seu enfoque terá êxito.

Já no Brasil, a corrida para a eleição presidencial de outubro está aberta. O Partido dos Trabalhadores (PT) indicou como candidato o ex-presidente Lula, que está fazendo campanha eleitoral da prisão em que se encontra encarcerado por corrupção. No momento as pesquisas favorecem Lula, seguido por Jair Bolsonaro, mas a participação do ex-presidente na eleição será decidida pelo Supremo Tribunal na metade de setembro. Não importa quais venham a ser os resultados eleitorais, a incerteza política está afetando negativamente a economia brasileira.

E na Venezuela, Nicolás Maduro anunciou recentemente um novo plano de recuperação econômica, que não passa de mais do mesmo, ainda que o governo tenha enfim reconhecido seu papel na hiperinflação.

No plano geopolítico, os conflitos comerciais entre as grandes potências, a queda dos fluxos de capital para os mercados emergentes e um aumento no nível de risco das dívidas nacionais, acompanhados pelo enfraquecimento das moedas dos países de mercado emergente diante do dólar, estão debilitando o crescimento regional.

Diante disso, e apesar de a Cepal ter tentado "suavizar" a mensagem negativa quanto ao crescimento da região, o recuo em suas projeções de crescimento –que sugere que a economia está perdendo o dinamismo–, somado a um entorno político e geopolítico complexo, nos faz pensar que as economias da região não estarão em situação fácil, pelo restante deste ano e no ano que vem.

Ricardo Aceves, do México, é um economista especializado em temas macroeconômicos latino-americanos e atualmente trabalha como analista de riscos de crédito na CRIF Ratings, de Barcelona. Anteriormente, foi economista sênior para a América Latina na consultoria Focus Economics.

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Tradução de PAULO MIGLIACCI

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