Arrecadação tem melhor agosto desde 2014, mas crescimento desacelera

Alta em relação ao ano passado foi de 1,08%; em julho, havia sido de 12,8%

Maeli Prado
Brasília

A arrecadação federal teve o melhor agosto desde 2014, mostram dados divulgados pela Receita Federal nesta sexta-feira (21). A receita totalizou R$ 109, 7 bilhões, um crescimento real (descontada a inflação) de 1,08% na comparação com mesmo mês de 2017.

No ano, as receitas federais somam R$ 953,6 bilhões, alta de 6,9% em relação a janeiro a agosto de 2017. 

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias, afirmou que a projeção para a Receita no ano é de crescimento de 3% a 3,45%. Ou seja, a expectativa é de desaceleração do ritmo de alta.

Como antecipou a Folha com base em dados do Ibre/ FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), os dados mostraram uma forte desaceleração no crescimento em relação aos meses anteriores. 

Em julho, o crescimento havia sido de 12,84% na mesma comparação.

Prédio da Receita Federal, na rua Augusta, em São Paulo
Prédio da Receita Federal, na rua Augusta, em São Paulo - Ronny Santos/Folhapress

Os dados do órgão mostram que, se considerar-se somente a arrecadação administrada pela Receita, que representa a maior parte do bolo, a alta em relação a agosto de 2017 limitou-se a 0,6%. Em julho, esse crescimento havia sido de 8,3%. 

No caso das receitas administradas por outros órgãos, como royalties de petróleo, que estão crescendo por causa da alta do produto no mercado internacional, o crescimento foi de 24,6%. 

A forte desaceleração está relacionada com a base de comparação mais forte do segundo semestre de 2017, quando a atividade econômica começou a crescer com mais força. 

A Receita destacou, como pontos de diferença entre agosto deste ano e do ano passado, o fato de que o IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) tiveram alta de 10,5% no mês passado. 

Isso aconteceu porque o órgão endureceu a lei que rege a compensação, pelas empresas, de dívidas dos impostos sobre a renda de empresas com créditos tributários no regime de recolhimento por estimativa.

Além disso, a Receita destacou que em agosto do ano passado entraram R$ 2,4 bilhões a mais de recursos referentes ao programa de parcelamento de dívidas tributárias, o PERT.

Para Malaquias, esse é o principal motivo da desaceleração do ritmo de alta: no segundo semestre do ano passado, o novo Refis foi responsável pelo crescimento da arrecadação.

"Essa entrada do Refis no ano passado elevou a base de comparação", afirmou. "No ano passado tivemos muitas receitas extraordinárias. Não tem desaceleração na arrecadação, é a base que mudou".

Com o número maior de brasileiros vivendo no exterior, houve crescimento de 22,02% na arrecadação do Imposto de Renda dos Residentes no Exterior.

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