Conselho da Volkswagen prepara medidas para IPO de caminhões, diz agência

Abertura de capital deve envolver marcas Scania e MAN, que têm fábricas no Brasil

Frankfurt e Londres

O conselho da Volkswagen está trabalhando na decisão de abrir o capital de sua divisão de caminhões, medida que geraria novos recursos para que a unidade possa desafiar as líderes globais Daimler (produz modelos Mercedes-Benz) e Volvo, segundo pessoas ouvidas pela agência Bloomberg.

A VW planeja discutir o assunto no início da semana que vem, em reuniões nos bastidores do Salão de Hannover, na Alemanha, principal evento do setor de veículos pesados.

A unidade de caminhões da montadora também organizará um evento para os mercados de capitais no fim da semana, disseram as fontes à Bloomberg.

A VW pretende listar ações da unidade de caminhões no ano que vem, mas o momento exato dependerá das condições de mercado, disseram.

A Volkswagen ainda não deu autorização formal a nenhum banco, mas, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, Goldman Sachs e Bank of America estão bem posicionados para se tornarem coordenadores globais da abertura de capital da Traton, atual nome da divisão de veículos pesados do grupo VW.

 

A Volks pode contratar também um terceiro banco para liderar a transação, disse outra fonte à Bloomberg.

Representantes da VW e dos bancos preferiram não comentar.

A divisão foi transformada em uma empresa com ações e rebatizada Traton neste ano para diferenciá-la de forma clara da divisão de carros de passageiros da VW, de maior porte.

Os principais acionistas da VW --incluindo o estado alemão da Baixa Saxônia, que tem participação de 20%, e os poderosos sindicatos de funcionários da empresa --apoiaram o projeto.

O IPO da unidade --que compreende a marca sueca Scania, altamente rentável, a marca alemã de caminhões e ônibus MAN e um negócio no Brasil-- representa a mudança estrutural mais significativa da VW até o momento em meio a uma grande reformulação.

As marcas do grupo têm linhas de produção nacionais. A Scania monta seus caminhões em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo). A fabricação de modelos MAN e Volkswagen é feita em Resende (RJ). 

O novo CEO, Herbert Diess, está trabalhando para transformar a maior fabricante de veículos do mundo em uma empresa menos centralizada e mais ágil até 2025 para, assim, enfrentar a mudança sísmica do setor em direção aos veículos elétricos e a novos serviços digitais.

A rival alemã Daimler também está adotando uma nova estrutura corporativa que dará mais independência a sua divisão de caminhões, mas os executivos têm mantido sigilo, por ora, a respeito de um possível IPO.

O chefe da divisão de caminhões da VW, Andreas Renschler, tem sido o principal defensor do esforço mais intenso da fabricante para melhorar a cooperação entre Scania e MAN e expandir a presença da divisão fora da Europa. Ele entrou na Volkswagen em 2015 após quase uma década à frente da unidade de caminhões da Daimler, a maior fabricante de veículos comerciais do mundo em receita.

Uma venda de ações bem-sucedida levantaria recursos para a campanha de Renschler para recuperar o atraso em relação às rivais em termos de alcance global. No início do ano, a fabricante assinou um acordo de cooperação com a Hino, uma divisão da Toyota Motor, e está procurando também aumentar sua presença na China.

Se comparada à Daimler, dona da marca de caminhões Freightliner, ou com a Volvo, que fabrica modelos Mack, a divisão VW conseguiu apenas recentemente uma presença na América do Norte com a aquisição, há dois anos, de uma participação na americana Navistar International, do mesmo ramo.

A empresa anunciou em abril que o aumento da participação na Navistar e até uma possível aquisição são opções consideradas.

Bloomberg

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