Impactos da guerra comercial sobre o Brasil ainda não estão claros, dizem analistas

Presidente americano ameaça taxar mais US$ 267 bilhões de produtos chineses

Patrícia Campos Mello
São Paulo

Analistas divergem sobre o efeito que a guerra comercial entre China e Estados Unidos terá sobre a economia brasileira. Para alguns, a escalada tarifária vai resultar em desaceleração da demanda chinesa e, consequentemente, do crescimento mundial

Assim, haverá queda dos preços das commodities, que afeta em cheio o Brasil, cuja pauta de exportação é dominada pelas matérias primas. 

Para outros, no entanto, o efeito para o Brasil será principalmente positivo, porque o país poderá aumentar suas exportações, principalmente para a China.

Somando as rodadas de sobretaxas, US$ 250 bilhões (R$ 1,03 trilhão) de um total de US$ 505 bilhões (R$ 2,08 trilhões) de exportações chinesas para os EUA passaram a ser sobretaxadas e US$ 110 bilhões (R$ 454 bilhões), de um total de US$ 130 bilhões de exportações chinesas para os EUA foram afetadas. O presidente americano, Donald Trump, ameaça taxar mais US$ US$ 267 bilhões (R$ 1,1 trilhão), o que, na prática, significaria que todas as exportações chinesas para os EUA passariam a ser alvo de sobretaxa.

Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), é inevitável que os efeitos da guerra comercial entre China e Estados Unidos sejam negativos para o Brasil. 

“A economia vai desacelerar, os preços das commodities vão cair, e 65% do que o Brasil exporta são produtos básicos”, diz Castro. 

Para ele, eventuais ganhos seriam transitórios. É o caso da soja. Os EUA fornecem US$ 14 bilhões (R$ 57,8 bilhões) em soja para a China, e o grão passou a ser sobretaxado. Com isso, a soja brasileira passou a receber um prêmio, diante da provável limitação de fornecimento americano. 

“Mas a cotação da soja está em queda de 20% desde junho e, no ano que vem, com a supersafra americana, deve cair ainda mais; então o prêmio vai apenas compensar a queda na cotação”, diz Castro.

Para o professor de Economia do Insper Otto Nogami este é o momento em que o governo brasileiro deveria estar negociando com os chineses para remover barreiras tarifárias e abrir mercado.

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