Não preciso entrar no debate eleitoral, diz presidente do BC

Questionado sobre convite de Bolsonaro, Goldfajn diz que precisa se manter neutro

Maeli Prado
Brasília

Questionado sobre sua continuidade à frente da instituição em um eventual governo Jair Bolsonaro (PSL), Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central, afirmou que sua posição política precisa ser neutra e apartidária. 

"O Brasil precisa de atores neutros, de instituições que vão fazer o que tem que fazer independentemente do que vem pela frente. Responder a essa pergunta nos tira dessa linha", disse, durante a divulgação do relatório trimestral de inflação.

Como revelou a Folha, o economista de Bolsonaro, Paulo Guedes, quer Goldfajn na presidência do BC em caso de vitória do candidato. 

Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central - Pedro Ladeira/Folhapress

Há cerca de seis meses, quando Guedes se tornou o guru econômico de Bolsonaro, o economista convenceu o presidenciável da ideia de independência do BC, segundo pessoas que atuam na campanha do capitão reformado do Exército. 

"Óbvio que gostaríamos de oferecer o máximo de tranquilidade para todo mundo. Mas fazer o que estamos fazendo agora, sendo neutro e apartidário, é o melhor possível", declarou, ao avaliar o efeito positivo que sua possível permanência no comando do BC teria sobre o mercado. 

O presidente do BC afirmou que se reuniu com os economistas dos candidatos, mas que não firmou nenhum compromisso. "Isso é importante para o país, pensar na transição. Mas não houve compromissos", disse. 

Também não comentou propostas que vão na contramão das reformas fiscais defendidas pelo BC. 

"Não vou manifestar minha posição sobre nenhuma proposta. Há discussões em vários locais, não preciso entrar nesse debate", disse. 

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