Trump critica aumento de juros e afirma que dinheiro poderia ser usado para outras coisas

Declaração ocorre poucas horas depois de banco central americano promover terceira alta de taxas no ano

Danielle Brant
Nova York

O presidente americano, Donald Trump, voltou a criticar nesta quarta-feira (26) o aumento de juros promovido pelo banco central do país e afirmou que preferia pagar a dívida do governo e fazer outras coisas com o dinheiro, como criar empregos.

As declarações foram dadas poucas horas após o Federal Reserve (Fed, banco central americano) elevar os juros nos Estados Unidos pela terceira vez no ano. As taxas agora estão na faixa entre 2% e 2,25% ao ano.

“Não estou feliz com isso. Eu preferia pagar dívida ou fazer outras coisas com o dinheiro, como criar mais empregos”, afirmou, a jornalistas em Nova York, onde participou da Assembleia Geral da ONU.

O presidente americano, Donald Trump, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova Yorkk - Carlos Barria/REUTERS

Estou preocupado com o fato de que eles parecem gostar de subir juros. Podemos fazer outras coisas com o dinheiro”, ressaltou, para depois complementar: “subimos porque estamos indo muito bem.”

Ele afirmou que o ex-presidente Barack Obama se beneficiou de uma economia com taxa de juros próxima a zero. “Obama jogou com juro zero, eu estou jogando com dinheiro caro”, disse. O aumento, ressaltou, está machucando pessoas que tomaram empréstimos. “Eu sou uma pessoa [que defende] juros baixos.”

O Fed melhorou a perspectiva para a economia americana para este ano e o próximo, e removeu a referência no comunicado de que sua política era “acomodativa”.

Não é a primeira vez que o presidente americano ataca a política monetária do banco central americano. Em julho, ele afirmou que não estava animado com as altas de juros no país. No mês seguinte, afirmou que os aumentos estavam ferindo a economia dos EUA.

Os ataques foram os primeiros da Casa Branca ao Fed em duas décadas e quebraram uma tradição dos presidentes de evitar comentários sobre a política monetária do país.

Desde dezembro de 2015, o Fed já elevou oito vezes os juros nos EUA. Neste ano, foram três altas, e mais uma é esperada pelo mercado —em dezembro.

Ao elevar as taxas, o banco central analisa o cenário de fortalecimento do mercado de trabalho e recuperação da economia americana, que podem gerar pressões inflacionárias. O duplo mandato do Fed é maximizar o emprego e estabilizar os preços.

A maioria dos bancos centrais de países desenvolvidos trabalha de forma independente do governo, para não ser influenciado pelos debates políticos.

A regulação do Fed prevê que seu presidente só pode ser retirado do cargo antes do fim do mandato por motivos legítimos, que não são especificados.
 

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