Com tarifa mais cara, governo prevê concluir usina nuclear Angra 3 em 2026

A ideia é incluir a obra, que precisa de R$ 15,5 bi, no programa de concessões do governo

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O governo anunciou nesta terça (9) que ampliará a tarifa da energia da usina nuclear de Angra 3 para retomar as obras paralisadas desde 2015. Alvo da Operação Lava Jato, o projeto precisa de R$ 15,5 bilhões em investimentos.

A ideia é incluir a usina no programa de concessões do governo federal e buscar parceiros para concluir a obra.

A Eletronuclear, estatal responsável pelo setor, já assinou parcerias com empresas da China, da França e da Rússia para estudar o projeto.

A tarifa será ampliada para R$ 480 por MWh (megawatt-hora), o dobro do previsto originalmente. O governo espera, porém, que o valor possa ser reduzido em uma licitação para definir o parceiro.

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Vista geral das obras da usina termelétrica nuclear (UTN) Angra 3, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro - Divulgação

Em nota, o MME (Ministério de Minas e Energia) defendeu que a usina vai reduzir a necessidade de térmicas com maior custo. A nova previsão é que o projeto comece a gerar energia em 2026, 11 anos depois do previsto quando os contratos foram assinados, em 2009.

As obras de Angra 3 foram paralisadas em 2015 após divergências entre os consórcios responsáveis pela construção e a Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras responsável pela operação do parque nuclear brasileiro.

Na época, as empresas já eram investigadas pela Operação Lava Jato, que levou à prisão em 2016 o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva, condenado a 43 anos por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e associação criminosa.

"A decisão do conselho [pela retomada com tarifa mais cara] levou em conta a necessidade de o Brasil implementar uma matriz energética cada vez mais limpa, robusta e com preços justos", disse o MME, em nota distribuída nesta quinta.

Quando os contratos foram assinados, o custo estimado era de R$ 13,7 bilhões, em valores corrigidos pela inflação. Até o fim de 2017, a Eletrobras já havia provisionado perdas de R$ 12 bilhões com o projeto.

Angra 3 tem capacidade de 1.405 MW (megawatts). É terceira do primeiro programa nuclear brasileiro, iniciado na década de 1970 - as outras duas estão em operação. 
 

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