Descrição de chapéu Eleições 2018

Equipe de Bolsonaro ainda discute se pauta econômica será atacada de uma vez

Corrente liderada por Paulo Guedes que focar em temas prioritários no início do governo

Maria Carolina Marcello Ricardo Brito

A equipe que elabora o programa econômico do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) ainda discute se a pauta econômica no Congresso, incluindo a reforma da Previdência, deverá ser abordada de uma vez ou aos poucos, de acordo com pessoas próximas às negociações.

Segundo apuração da agência de notícias Reuters, uma corrente do grupo, liderada pelo economista Paulo Guedes, entende que é necessário investir nos temas prioritários já no início de um eventual governo de Bolsonaro. Enquanto outra frente, formada principalmente por técnicos e burocratas com experiência na máquina pública em Brasília, aconselha uma abordagem mais paulatina.

Um dos temas que poderiam funcionar como teste, segundo essa abordagem gradual, seria o projeto que trata da autonomia do Banco Central. O assunto, conforme a apuração da Reuters, não encontraria grandes resistências no Congresso e, uma vez aprovado, serviria para animar e dar fôlego à base de sustentação a ser construída em torno do governo. 

Para construir seu colchão de aliados, Bolsonaro contará muito com as bancadas parlamentares já identificadas com a sua pauta original, muito centrada nos problemas de segurança pública e em questões morais e culturais. São elas a bancada do agronegócio, a religiosa e a da “bala”, além dos parlamentares eleitos na esteira de corporações como policiais e militares. 

As declarações de neutralidade dos principais partidos do centrão foi encarada como positiva, uma vez que um apoio formal poderia ser visto como "mais do mesmo na política", segundo a Reuters. Isto é, um aval do chamado establishment político poderia contradizer o ativo que o próprio Bolsonaro tem cultuado durante toda a sua campanha.

Essa agenda moral e de costumes, a pauta do candidato, seria usada, neste contexto, como um instrumento de negociação justamente para a aprovação da pauta econômica de interesse de Paulo Guedes no Congresso. O nome do economista foi confirmado por Bolsonaro nesta sexta-feira (11) para comandar o Ministério da Fazenda em seu eventual governo.

A equipe econômica do candidato já tem visão consolidada, no entanto, sobre a necessidade da presença de investimento estrangeiro na economia. Será dada prioridade a licitações internacionais, sem “preconceito” com o capital —mesmo que tenha origem na China. Bolsonaro, no entanto, tem mostrado repetidas vezes preocupação com a entrada de capital chinês no país.

Para esse grupo, o Programa de Parceria de Investimentos (PPI), criado para ampliar a interação entre o Estado e a iniciativa privada em contratos de parceria e de medidas de desestatização, já oferece um avanço em relação ao que era praticado.

Reuters
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