Brasil cai 6 posições e flerta com lanterna em ranking de talentos global

De 63 países analisados, o Brasil ficou em 58º lugar no Ranking Mundial de Talento do IMD

DANIELLE BRANT
Nova York

A falta de uma política que desenvolva habilidades individuais e a lentidão em absorver as inovações tecnológicas fizeram o Brasil perder seis posições e ocupar os últimos lugares em ranking de talentos do IMD World Competitiveness Center.

De 63 países analisados, o Brasil ficou em 58º lugar, segundo o Ranking Mundial de Talento do IMD. Na edição passada, o país ocupava a 52ª colocação.

O ranking avalia como os países desenvolvem, atraem e retêm talentos para municiar empresas e criar valor no longo prazo.

Segundo o IMD, o país recuou em investimento e desenvolvimento, com reduções em gasto público com educação, em qualidade da educação primária e secundária, na implementação de programas de aprendizes e na priorização de treinamento de funcionários.

No caso brasileiro, parte da volatilidade que fez com que o país perdesse as posições também pode ser reflexo do ano eleitoral, explica José Caballero, economista sênior no IMD. “É um ranking que captura os sentimentos deste ano em torno das eleições e das campanhas”, diz.

Ainda assim, o Brasil tem problemas estruturais que contribuíram para a piora observada na comparação anual, os principais sendo desigualdades econômica e social.

“Se você tem um país com níveis de segurança baixo, as pessoas vão querer se mudar. Sou de El Salvador, imagine quão pouco atraímos pessoas”, diz.

No Brasil, muitos não têm as necessidades básicas atendidas e se deparam com um ambiente de baixa estabilidade econômica e poucas oportunidades de estudo e emprego, afirma.

“É muito difícil desenvolver. Em países como esses, o melhor que pode acontecer a um talento é estagnar.”

Já o pior cenário no longo prazo, acrescenta, é um contínuo declínio, com fuga de talentos para outros países. Outro problema estrutural é que as habilidades e talentos desenvolvidos no Brasil não atendem às exigências das empresas.

“Pensa no ambiente atual, com inteligência artificial, tecnologias de negócios que estão mudando constantemente e que são um desafio para a sociedade. É preciso mudar o currículo educacional”, diz.

“Vocês estão produzindo o tipo de talento que não é exigido. Isso é um problema se você quiser competir em uma economia global.”

No ranking, pelo quinto ano, Suíça e Dinamarca ficaram nas duas primeiras posições. Isso tem mais a ver com a qualidade de vida encontrada nesses países do que somente pelo salário pago aos trabalhadores, diz Caballero.

“Há outras coisas importantes, como estar em uma sociedade inclusiva, que prioriza o bem-estar da população”, afirma.

“Eles são atraídos pela estrutura encontrada. Imagine que você tem uma oferta em um lugar que tem algum tipo de desigualdade, social ou racial. Mesmo você sendo altamente treinado, você pode não querer ir, porque quer ir para onde você se sente seguro.”

Ranking global de talentos
Suíça lidera pelo quinto ano; Brasil cai seis posições

1 Suíça
2 Dinamarca
3 Noruega
4 Áustria
5 Holanda
6 Canadá
7 Finlândia
8 Suécia
9 Luxemburgo
10 Alemanha

Lanterna

58 Brasil
59 Eslováquia
60 Colômbia
61 México
62 Mongólia
63 Venezuela

 
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