Descrição de chapéu Financial Times

Funcionários do Google protestam pelo mundo contra casos de assédio

Empregados criticam falta de transparência e pedem canais mais seguros para fazer denúncias

Camilla Hodgson
Londres | Financial Times

Funcionários do Google em todo o mundo realizaram paralisações nesta quinta-feira (1º) em protesto contra a atitude da empresa diante de supostos casos de delitos de conduta sexual.

Empregados e prestadores de serviço em escritórios da empresa de Dublin a Cingapura se declararam insatisfeitos com um “local de trabalho que não trabalha bem para todos” e atacaram a empresa por falta de transparência quanto a casos de delitos de conduta sexual e disparidades de pagamento.

Também houve protesto no escritório da empresa em São Paulo.

O Google se tornou a mais recente companhia do Vale do Silício a ser criticada por sua conduta em casos de queixa por assédio sexual, depois que surgiu a notícia, revelada na semana passada pelo jornal The New York Times, de que dois executivos deixaram seus cargos com pacotes de rescisão substanciais apesar de as acusações contra eles terem sido consideradas críveis.

Uma nova conta no Twitter estabelecida especificamente para o protesto desta quinta-feira delineou cinco demandas dos empregados insatisfeitos do Google: 

1) o fim da arbitragem compulsória em casos de assédio e discriminação;

2) compromisso de pôr fim à desigualdade de pagamento e oportunidade;

3) relatório de transparência sobre assédio sexual ao qual todos os empregados tenham acesso;

4) um processo claro, uniforme e plenamente inclusivo para denúncia segura e anônima de delitos de conduta sexual e;

5|) uma promoção do vice-presidente de diversidade do Google de forma a que se reporte diretamente a Sundar Pichai, o presidente-executivo da companhia, e que o autorize a fazer recomendações diretas ao conselho a empresa —que deveria passar a incluir um representante dos trabalhadores.

“Compreendo a raiva e a decepção que muitos de vocês sentem”, escreveu Pichai em um email ao pessoal da empresa, de acordo com a BBC.

“Sinto a mesma coisa, e assumo plenamente o compromisso de avançar quanto a uma questão que persiste há tempo demais em nossa sociedade... e sim, também aqui no Google.”

Os empregados que aderiram às paralisações deixaram panfletos em suas mesas, com a seguinte mensagem: “Não estou em minha mesa porque decidi paralisar meu trabalho em solidariedade a outros empregados do Google e prestadores de serviços, em protesto contra o assédio sexual, delitos de conduta, falta de transparência e uma cultura empresarial que não funciona igualmente para todos. Retornarei ao trabalho mais tarde”.

Em Londres, muitos empregados do Google deixaram seus postos de trabalho, mas não o escritório, porque estava chovendo.

Uma publicação na conta Google Walkout, no Instagram, afirmava que “os executivos serão responsabilizados por suas ações”.

Na semana passada, Pichai enviou carta aos funcionários na qual informava que a companhia demitiu 48 executivos nos últimos dois anos como resultado de denúncias de assédio sexual.

Empresas de todo o mundo vêm sendo cada vez mais pressionadas a reforçar seus mecanismos de denúncia de assédio e garantir apoio aos denunciantes e a potenciais vítimas, depois do escândalo envolvendo Harvey Weinstein no ano passado, e diante do movimento #MeToo que o caso ajudou a expandir.

Tradução de Paulo Migliacci; colaborou Filipe Oliveira

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