Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Paulo Guedes diz que acordo sobre divisão de recurso de petróleo 'tá difícil'

Futuro ministro participou de reunião no Palácio do Planalto que durou cerca de cinco horas

Brasília

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira (28) que a solução para um acordo em relação à repartição de recursos do petróleo está difícil.

Guedes disse que a forma de fazer a repartição dos recursos ameaça o teto de gastos e que haverá mais uma semana para estudar as soluções.

"Temos a concepção de que todo mundo está com problemas: Estados, municípios. Evidentemente, qualquer coisa que pudesse ser compartilhada, seria compartilhada", disse Guedes. "O problema é que a forma de fazer isso aparentemente não é trivial. A equipe atual está dizendo que você não consegue fazer isso sem atingir o teto de gastos do ano que vem. Aparentemente, eles vão tentar achar uma forma de fazer isso."

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Paulo Guedes, futuro ministro da economia, durante reunião com governadores nesta quarta-feira (28) - Pedro Ladeira/Folhapress

Tramita no Senado projeto que viabiliza um megaleilão do pré-sal que pode render R$ 100 bilhões segundo estimativa do governo. O texto da chamada cessão onerosa permite que outras empresas possam operar em blocos hoje controlados pela Petrobras. 

A previsão era votar o texto da cessão onerosa nesta terça-feira (27), mas, diante do impasse, a votação foi adiada.

Guedes se reuniu com representantes do atual governo e do Congresso na tarde desta quarta-feira (28) e retornou ao CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), onde funciona o gabinete de transição, no carro do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE).

Para tentar chegar a um acordo sobre o tema, o presidente Michel Temer organizou uma reunião no Palácio do Planalto nesta quarta. Além de Guedes e Eunício Oliveira, participaram do encontro o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Durante o encontro, Guardia argumentou que não há margem para a medida, que pode furar o teto de gastos, enquanto Eunício insistiu na sua viabilidade.

O Ministério da Fazenda é contra a divisão das receitas do megaleilão de petróleo. Além de significar uma perda de recursos para a União em um momento de aperto fiscal, a transferência aos estados comprimiria ainda mais as despesas do governo federal, que são limitadas pela regra do teto de gastos.

No fim, ficou acordado que a Fazenda fará novos estudos e uma nova reunião deve ser convocada na semana que vem, após retorno de Temer de reunião do G-20, na Argentina.

Ao voltar da reunião, que se alongou por toda a tarde e terminou sem acordo, Guardia entrou pela garagem do Ministério da Fazenda, onde a imprensa não tem acesso, e informou que não vai comentar o assunto.

Na terça-feira (27), Eunício já havia se reunido com Temer e pedido a edição de medida provisória para viabilizar a divisão dos recursos com estados. No encontro, o presidente disse que editaria a medida caso ela tivesse a aprovação da equipe econômica. Para tentar pressionar Guardia, Eunício buscou o apoio de Guedes.

Laís Alegretti, Bernardo Caram e Gustavo Uribe
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