China aceita acordo para reduzir tarifas sobre automóveis dos EUA

País vai reduzir tarifa sobre automóveis fabricados nos EUA dos atuais 40% para 15%

Bob Davis
Washington

A China concordou em reduzir as tarifas sobre automóveis importados dos Estados Unidos a 15%, durante uma conversa telefônica com representantes do governo americano cujo objetivo era tentar resolver a disputa comercial que fervilha entre as duas maiores potências econômicas do planeta, disse uma pessoa informada sobre o assunto.

O primeiro-ministro assistente chinês Liu He informou ao secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e ao líder do governo americano para assuntos comerciais, Robert Lighthizer, sobre a decisão em um telefonema na noite de segunda-feira (10).​

A escolha reativou as negociações comerciais entre os dois países. Não estava claro quando a mudança entraria em vigor, mas Washington está pressionando Pequim por concessões o mais cedo possível. 

A China elevou suas tarifas sobre os automóveis americanos, como parte da campanha de retaliação pelas tarifas que os Estados Unidos impuseram meses atrás. Os líderes dos dois países, o presidente Trump e o presidente Xi Jinping, se reuniram durante uma recente conferência multilateral em Buenos Aires e chegaram a um acordo quanto a uma trégua de 90 dias, para negociar sobre as fricções comerciais.

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O presidente chinês Xi Jinping posa para foto ao lado do líder norte-americano, Donald Trump, em jantar que ocorreu em Buenos Aires, no início do mês - Xinhua/Li Xueren

Os três funcionários de primeiro escalão discutiram compras de produtos agrícolas pela China e mudanças nas políticas econômicas fundamentais chinesas, durante a conversa telefônica, disseram outras pessoas informadas sobre a conversa, que não forneceram detalhes adicionais.

Como parte da trégua comercial que Trump e Xi negociaram, as autoridades chinesas também estão estudando mudanças no plano Made in China 2025, uma política industrial liderada pelo Estado cujo objetivo é permitir que companhias chinesas dominem diversos setores, como a inteligência artificial e a robótica, disseram pessoas informadas sobre o assunto.

A política é um dos pontos focais das queixas dos Estados Unidos de que Pequim promove práticas comerciais desleais, que colocam empresas estrangeiras em desvantagem diante de empresas chinesas. 

O Ministério do Comércio da China anunciou em um breve comunicado que a conversa - realizada na noite de segunda-feira nos Estados Unidos e na manhã da terça-feira na China - tinha por objetivo "levar adiante os próximos passos do cronograma e mapa de rota" das negociações. Liu planeja viajar a Washington depois do Ano Novo, disseram pessoas informadas sobre o assunto.

Na manhã de terça-feira, o presidente Trump tuitou que "conversações muito produtivas" estavam acontecendo com a China. "Podem esperar alguns anúncios importantes".

Assessores de Trump disseram que o presidente às vezes faz tuites positivos sobre as negociações com a China para tentar estimular o mercado de ações. Operações futuras indicam que a Bolsa de Valores de Nova York abrirá forte.
 
Tradução de PAULO MIGLIACCI
 

The Wall Street Journal
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