Cuidador de idosos é a profissão que mais cresce em 10 anos

Aumento da demanda por esses profissionais também é observado por instituições de ensino

Camilla Feltrin Fernanda Brigatti
São Paulo

A ocupação que mais cresce no Brasil está relacionada ao envelhecimento da população.

Entre 2007 e 2017, a função de cuidador de idosos passou de 5.263 para 34.051 profissionais empregados — uma alta de quase 550%. Os dados são da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho.

São Paulo concentrou a maior parte das contratações, com 11.397 postos, seguido por Minas Gerais (4.475) e Rio Grande do Sul (2.288).

Para a cuidadora Valdilene Reis Ferreira de Araújo, 49, a escolha do trabalho veio há 13 meses, na tentativa de uma nova direção profissional.

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Maria Aparecida Costa (centro), que exerce há mais de dez anos a função de cuidadora de idosos - Rivaldo Gomes/Folhapress

"Eu estava sem rumo. Cheguei a fazer psicologia, parei, tive comércio. A sugestão foi da minha irmã. Sempre fui muito solidária na questão do cuidado com o outro", diz.

Araújo saiu do curso de capacitação já empregada e, desde então, passa dois dias, a cada quatro, cuidando de uma senhora de 92 anos.

Maria Aparecida da Costa, 53, está há mais de dez anos na função, como uma consequência do trabalho de babá.

No centro-dia em que trabalha atualmente —um lugar em que os idosos só passam o dia—, acompanha recreações, monitora atividades e refeições, dá atenção.

O aumento da demanda por profissionais para exercer a função também é observado por instituições de ensino.

A unidade da Cruz Vermelha em São Paulo oferece curso de qualificação no período da manhã, tarde, noite, integral e com aulas exclusivas aos sábados.

"Temos vários horários porque a demanda cresceu, até mesmo de alunos de outros estados e países. Fechamos 2008 com 100 pessoas formadas e vamos encerrar 2018 com 400", afirma a enfermeira e professora do curso Daniele Aguiar.

O Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio), que qualifica cuidadores de idosos desde 2009, já tem mais de 60 turmas para 2019 em todo o estado.

Coordenadora da área de Saúde e Bem-Estar da instituição, Ana Carolina Bhering Alves do Amaral diz que o aumento de alunos é esperado.

"A gente tem uma fila significativa para inscrição desse curso, o que, sem dúvida, é reflexo do envelhecimento da população."

Apesar de mulheres com ensino médio serem 85% dos profissionais contratados para a função nos últimos dez anos, Amaral vê diversidade no perfil dos frequentadores do curso, que exige apenas ensino fundamental.

O salário médio, em todo o país, para cuidadores de idosos recém-admitidos foi de R$ 1.211 no primeiro semestre deste ano, segundo a ferramenta Salariômetro, da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Na agência de empregos Catho, o salário médio oferecido hoje é de R$ 1.231,46. Na plataforma, 224 vagas estão abertas para cuidadores de idosos, em todo o país.

Na capital paulista, por exemplo, há oferta de colocação com remuneração de R$ 2.001 a R$ 3.000.

Os brasileiros estão vivendo mais, e o avanço no número de cuidadores de idosos manifesta essa nova demanda, que só tende a crescer.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) projeta que o país terá mais idosos do que crianças em 2060, quando 25% da população terá mais de 65 anos.

Pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) publicada em 2011 já destacava as mudanças no perfis dos asilos, chamados de instituições de longa permanência.

O documento apontava que o aumento da escolaridade e a inserção maciça das mulheres no mercado de trabalho desde os anos 1970 resultavam em transformações nas formas de cuidado aos idosos, permitindo, até mesmo, que ela pagasse pelo cuidado desse familiar mais velho, por quem antes era a responsável.

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