EUA acusam chineses de espionagem e de tentar roubar tecnologia americana

Dupla tinha 45 empresas como alvo; laboratório da Nasa também teria sido acessado

Danielle Brant
Nova York

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou nesta quinta-feira (20) dois chineses associados ao Ministério de Segurança do Estado de uma campanha global de invasão de computadores para tentar roubar propriedade intelectual e informações confidenciais de empresas.

Zhu Hua e Zhang Shilong foram indiciados sob acusação de conspiração para invadir computadores, fraude eletrônica e roubo agravado de identidade.

Eles eram membros do grupo de hackers APT 10, associado com o braço de Taijin do Ministério de Segurança do Estado. Ambos estariam envolvidos com a organização pelo menos desde 2006.

Na China, os réus trabalhavam para uma companhia chamada Huaying Haitai. O Departamento de Justiça afirma que os dois chineses tinham como alvo 45 empresas de tecnologia, além de agências do governo americano. Um laboratório da Nasa (agência espacial) também teria sido acessado por ambos.

Os ataques do APT10 abrangiam diversas atividades comerciais, indústrias e tecnologias, incluindo aviação, satélites e marinha. Focavam ainda nos setores financeiro e bancário, telecomunicações, eletrônicos, biotecnologia e saúde, entre outros.

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Procurador federal do distrito sul de Nova York, Geoffrey Berman (no centro), o vice-procurador geral, Rod Rosenstein (à dir.), e o diretor do FBI, Christopher Wray - Manuel Balce Ceneta/AP

Zhu e Zhang eram responsáveis por criar a infraestrutura de tecnologia da informação que o APT10 usava em suas invasões. Eles também atuavam como hackers.

O indiciamento não dá detalhes sobre qualquer tecnologia específica que teria sido roubada pelo grupo, mas afirma que o APT10 foi bem-sucedido em obter acesso não autorizado a essas entidades, entre elas o laboratório Lawrence Berkeley National, na Califórnia.

“O indiciamento alega que os réus eram parte de um grupo que hackeava computadores em ao menos uma dúzia de países e dava aos serviços de inteligência da China acesso a informações de negócios confidenciais”, afirmou o vice-procurador geral Rod Rosenstein.

“Isso é descaradamente trapaça e roubo, e dá à China uma vantagem injusta às custas de negócios que cumprem a lei e de países que seguem as regras internacionais em troca do privilégio de participar do sistema econômico global.”

Em comunicado conjunto, o secretário de Estado, Mike Pompeo, e a secretária de Segurança Nacional dos EUA, Kirstjen Nielsen, afirmaram que, desde 2014, hackers chineses associados ao Ministério de Segurança do Estado atacaram vários serviços de gerenciamento e servidores de armazenamento na nuvem nos EUA e no mundo.

Segundo eles, os EUA estão preocupados com uma violação dos compromissos firmados entre o país e a China em 2015 e que buscavam frear o apoio a roubo de propriedade intelectual, incluindo segredos comercial ou outras informações confidenciais de negócios.

“A estabilidade no espaço cibernético não pode ser alcançada se os países se envolverem com comportamento irresponsável que prejudique a segurança nacional e a prosperidade econômica de outros países”, afirma o comunicado.

Ambos dizem que as ações dos chineses representam uma ameaça real à competitividade econômica de empresas nos EUA e no mundo.

“Nós vamos continuar responsabilizando agentes malignos por seu comportamento, e hoje os EUA estão tomando diversas ações para demonstrar nossa resolução.”

“Nós pedimos fortemente à China que se atenha a seu compromisso de agir responsavelmente no espaço cibernético e reiteramos que os EUA vão adotar as medidas apropriadas para defender nossos interesses.”

O caso levanta mais dúvidas sobre a relação entre EUA e China, que tentam negociar um acordo comercial.

Os EUA e outros países --como Reino Unido, Japão, Canadá, Alemanha e Austrália-- estão se preparando para lançar comunicados coordenados condenando a China por tentativa de obter dados comerciais confidenciais e propriedade intelectual. 

O governo americano também tenta extraditar Meng Wanzhou, alta executiva da Huawei detida no Canadá por violar as sanções americanas impostas contra o Irã.

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