EUA e China entram em confronto na OMC e trocam acusações por crise comercial

Embaixador americano rejeitou comentário da União Europeia de que os Estados Unidos estavam no epicentro da crise

Genebra | Reuters

Os Estados Unidos e a China entraram em confronto na OMC (Organização Mundial do Comércio) nesta quarta-feira (19), trocando acusações de prejudicar o sistema multilateral de comércio, segundo pronunciamentos durante negociações a portas fechadas aos quais agência Reuters teve acesso.

O embaixador americano, Dennis Shea, também rejeitou um comentário feito pela União Europeia na segunda-feira de que os EUA estavam no "epicentro" da crise.

"A crise é causada pela incompatibilidade fundamental do regime econômico não mercantil da China, com um sistema de comércio internacional aberto, transparente e previsível", disse Shea. "É composto pelo fracasso coletivo dos membros [da OMC] ao longo de muitos anos para resolver este problema."

Shea acusou a China de buscar a transferência de tecnologia e "roubá-la quando acha válido" para se tornar o maior produtor, particularmente em setores estratégicos.

"A China vai subsidiar e manter o excesso de capacidade em vários setores, forçando os produtores de outras economias a fechar. A China despejará seus produtos em nossos mercados, alegando que tudo está bem, porque nossos consumidores pagam um pouco menos", disse ele.

"Isso não é aceitável."

Hu Yingzhi, vice-diretor-geral do departamento de assuntos da OMC no Ministério do Comércio da China, disse que "ações imprudentes" do governo Trump foram a raiz da crise.

"A China absolutamente se recusa a ser o bode expiatório e a desculpa para o unilateralismo e o protecionismo", disse.

Mas Hu afirmou que a China espera que, na sequência da cúpula entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump no início deste mês, as duas potências se movam "na mesma direção com respeito mútuo para contribuir para a estabilidade do mundo econômico e ambiente comercial".

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