Gol puxa alta da Bolsa após liberação de 100% de capital estrangeiro em empresas aéreas

Dólar voltou a subir e fechou cotado a R$ 3,88

São Paulo

A Bolsa paulista fechou em alta pelo terceiro pregão seguido nesta quinta-feira (13), com as ações da Gol liderando os ganhos após o governo acabar com o limite de participação de capital estrangeiro em companhias aéreas do país. O dólar também fechou em alta.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,99%, a 87.837 pontos. O volume financeiro somou R$ 10,78 bilhões de reais, cerca de 25% abaixo da média dos últimos 30 dias. Apesar do ganho recente, o Ibovespa ainda mostra perdas no acumulado da semana (-0,3%) e do mês (-1,86%).

As ações da Gol, que operaram em queda até a metade da tarde, inverteram o sinal e avançaram mais de 5% após o governo editar medida provisória que permite que empresas estrangeiras tenham 100% do capital de companhias aéreas. O papel fechou a R$ 22.

As ações da Azul também inverteram, mas o ganho foi mais contido, 0,74%, a R$ 33,90. 

No exterior, apesar de sinais de progresso nas discussões entre Estados Unidos e China para superar divergências nas relações comerciais, os mercados acionários globais seguem voláteis, com investidores ainda cautelosos, após indícios anteriores de avanço serem repentinamente desbaratados.

Nesta sessão, Wall Street não mostrou um viés único, com o S&P 500 fechando praticamente estável. O Dow Jones subiu 0,29%.

O dólar voltou a terminar em alta ante o real, corrigindo parte do forte recuo da véspera e com fluxo de saída de recursos, em ambiente de maior busca pelo risco no exterior diante de alívio nos atritos comerciais entre China e Estados e na questão do Brexit.

O dólar avançou 0,72%, a R$ 3,881, depois de terminar a sessão anterior a R$ 3,8530.

"Caiu muito ontem, não só aqui como lá fora. Mas não duvido que a tendência de queda continue", disse o diretor da assessoria de câmbio FB Capital, Fernando Bergallo.

Desde a véspera, o noticiário mais positivo no mercado internacional favoreceu uma busca de risco pelo mercado, com notícias, por exemplo, sobre a compra de soja dos Estados Unidos pela China, indicando que as negociações comerciais entre os dois países parece estar caminhando de fato, o que mantém as esperanças de que um acordo seja efetivado.

Nesta quinta-feira, um porta-voz do Ministério do Comércio chinês disse que os dois países estão em contato próximo nas negociações sobre comércio e que qualquer delegação comercial dos EUA será bem-vinda.

Na lista de notícias favoráveis estavam ainda o voto de confiança que a primeira-ministra britânica, Theresa May, ganhou de seu partido na véspera, mantendo-se no cargo para conduzir o Brexit, e o recuo da Itália, que concordou em reduzir sua proposta de déficit orçamentário de 2019 em conversas com a União Europeia.

Um fluxo de saída de recursos também foi citado por alguns profissionais para justificar a alta do dólar ante o real nesta sessão.

"Acredito que a certeza de que a taxa de juros por aqui não deve mudar tão cedo e que ela sobe nos Estados Unidos na próxima semana ajudou a reforçar esse fluxo de saída", comentou o diretor da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.

Ele se referia ao comunicado do Banco Central sobre a reunião de política monetária na qual manteve a Selic inalterada em 6,50%, do qual, retirou a menção de que a política monetária estimulativa começará a ser removida gradualmente.

Reuters
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