Nova sede da Amazon em Nova York traz riscos ao sistema de esgoto da cidade

Empresa planeja te 25 mil empregados trabalhando no local

Nova York | The New York Times

nova sede da Amazon em Long Island City, Nova York, criará 25 mil empregos, segundo a empresa. O que também significa mais —muito mais— descargas.

Pode parecer mundano, mas o que acontece nos banheiros importa. Nova York, apesar de todas as suas comodidades, tem um sistema de esgoto centenário usado por cada vez mais pessoas.

Toda vez que alguém dá a descarga ou toma um banho, a água usada é escoada por mais de 12 mil quilômetros de encanamento. A maioria dos canos tem dupla função: também são responsáveis pela coleta de água da chuva.

Quando esse encanamento entope ou fica sobrecarregado, o excesso de água é despejado em rios e baías próximos em vez de ir para os centros de tratamento. Parte do esgoto pode retornar pelos canos e alagar banheiros e cozinhas.

Os moradores já reportam incidentes desse tipo —os 25 mil novos residentes tendem a agravar o problema. Mas as  autoridades locais se dizem preparadas para o problema.

Um nova-iorquino gasta em média 380 litros de água por dia. Ou seja: os empregados da Amazon produzirão em torno de 9,5 milhões de litros de esgoto. Pode parecer muito, mas não para os padrões da cidade.

Cerca de 4,9 bilhões de litros de esgoto são escoados nos dias secos. Quando chove, a cidade tem capacidade para 14 bilhões de litros.

A sede da empresa contará com canos mais largos do que aqueles encontrados em bairros residenciais, já que o encanamento da área foi dimensionado para processar os resíduos das fábricas que  ficavam ali antigamente.

O esgoto produzido pelos novos moradores representaria menos 2,5% a mais do que o patamar atual, calculam as autoridades.

Em toda a cidade, cerca de 75 bilhões de litros de esgoto são lançados nos rios da região. Em 1985, eram 416 bilhões. 

“Esse é o principal problema de poluição hídrica da cidade”, diz Eric Goldstein, advogado da ONG Conselho de Defesa dos Recursos Naturais. “Acontece toda vez que chove, independentemente da Amazon se instalar aqui”.

Mas a construção da sede —ou de qualquer grande projeto imobiliário— pode agravar o problema, ele afirma.

Uma lei de 2012 exige que novos prédios adotem medidas para reter quantidades significativas de água da chuva. Os construtores costumam recorrer à instalação de telhados verdes ou de pavimentos porosos, por exemplo. 

Nesse ponto, os novos escritórios representariam uma melhora em relação aos prédios mais antigos —e poderiam acabar ajudando a reduzir a quantidade de água que é despejada sem tratamento nas vias fluviais da região. 

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