Otimismo com trégua em guerra comercial acaba, e Bolsas despencam

Dólar volta a subir ante o real e fecha a R$ 3,86

Tássia Kastner
São Paulo

O otimismo do mercado financeiro com a trégua na guerra comercial, firmada no final de semana entre Estados Unidos e China, durou apenas um pregão. Nesta terça-feira (4), as Bolsas americanas despencaram e levaram outros índices a reboque, reflexo da percepção de investidores de que a economia mundial deve desacelerar.

A Bolsa brasileira recuou mais de 1%, e o dólar voltou a subir.

O gatilho de pânico foi disparado com o movimento da curva de juros americana em direção que é lida como um termômetro de recessões. Quando os juros de longo prazo se aproximam de zero e ficam em patamar mais baixo que as taxas de curto prazo, investidores entendem que há um indício de crise econômica a caminho.

Outro termômetro de pânico do mercado, o índice VIX negociado na Bolsa de Chicago, disparou 19,4% nesta terça-feira.

Por enquanto, a economia americana ainda apresenta sinais sólidos de crescimento, com PIB avançando acima de 3%. Mas a expectativa para o próximo ano é de desaceleração, movimento que pode ser acelerado pela guerra comercial iniciada pelo presidente americano, Donald Trump, contra a China.

Enquanto isso, a economia chinesa já apresenta sinais de ritmo menor de expansão, o que contribuiria para por freio no crescimento de outros países, pela redução das importações do país asiático.

É por isso que a trégua de 90 dias na disputa comercial, acertada no final de semana entre Trump e o líder chinês Xi Jinping, foi inicialmente vista com bons olhos pelo mercado na segunda. Sem guerra comercial, os danos econômicos seriam menores.

Nesta terça, porém, o americano escreveu no Twitter que, se as negociações fracassarem, ele será o homem tarifa. Uma retomada do clima bélico do presidente americano.

Na própria segunda, o mercado já havia perdido força, após o anúncio da indicação do representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, para comandar as negociações com o governo chinês. Ele é visto como mais alinhado à disputa tarifária que o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, preferido pelos chineses.

O Ibovespa acompanhou o dia negativo no exterior e recuou 1,33%, a 88.624 pontos. O giro financeiro foi de R$ 15,2 bilhões.

As Bolsas americanas apresentavam perdas ainda mais expressivas.

O dólar, que abriu o dia em queda, avançou 0,44%, a R$ 3,86. De uma cesta de 24 divisas emergentes, a moeda americana se valorizou sobre 14 delas no pregão.

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