Rússia descarta discutir preço do petróleo

Putin não tem planos de entrar em contato com Arábia Saudita para discutir a queda dos preços

O presidente russo Vladimir Putin
O presidente russo Vladimir Putin - Alexander Zemlianichenko/AP
Moscou e Nova York | AFP e Reuters

O presidente russo, Vladimir Putin, não tem planos imediatos de entrar em contato com a Arábia Saudita para discutir a queda dos preços do petróleo, disse um porta-voz do Kremlin nesta terça-feira (25).

Dmitry Peskov também afirmou que o acordo deste mês entre a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e outros importantes produtores para cortar a produção em 1,2 milhão de bpd (barris por dia), a fim de dar suporte aos preços do petróleo, pode ter um impacto no mercado.

O ministro da Energia da Rússia, Alexander Novak, disse nesta terça que os preços do petróleo, que caíram em mais de um terço neste trimestre, deverão se estabilizar no primeiro semestre de 2019.

"Acho que durante o primeiro semestre, por causa dos esforços conjuntos que foram confirmados pelos países da Opep e não membros da Opep em dezembro, a situação será mais estável e equilibrada", disse Novak em entrevista à Rossiya-24 TV.

Novak salientou que não há propostas para uma reunião com a Opep e atribuiu a queda dos preços do petróleo a fatores macroeconômicos.

"Esses são os fatores fundamentais: a queda na demanda no inverno e, é claro, a macroeconomia, já que assistimos a uma queda na atividade econômica mundial no fim do ano e a uma queda nos mercados acionários", afirmou.

Na semana passada, Novak havia afirmado que a produção de petróleo do país poderia cair em 2019 por causa de um pacto de redução global de oferta, após uma década de crescimento.

A Rússia prometeu reduzir sua produção em 228 mil bpd, de uma média mensal recorde de 11,4 milhões de bpd.

Apesar da promessa da Opep em cortar a produção, investidores manifestam ceticismo diante do cenário.

No domingo, altos funcionários de países-membros da organização tentaram reafirmar a confiança dos investidores, durante reunião no Kuait.

O ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail al Mazrouei, disse que o excedente de petróleo no mercado era menos importante que em 2017 e estimou que em cerca de dois meses será reabsorvido.

Na segunda-feira (24), o preço do petróleo caiu mais de 2%, para o menor nível em um ano, consequência da baixa dos mercados acionários. O barril está em US$ 50.

Os preços futuros do petróleo dos EUA caíram mais de 30% até agora no trimestre --menor preço desde o terceiro trimestre de 2016.

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