Bitcoin vale menos que o custo de mineração, afirma JP Morgan

Enquanto custo da mineração gira em torno de US$ 4 mil, a moeda é negociada abaixo de US$ 3,6 mil

Paula Soprana
São Paulo

O preço do bitcoin está abaixo do valor relativo para operá-lo, segundo relatório do banco JPMorgan divulgado na sexta-feira (25). 

Enquanto o custo global para produzir um bitcoin —dinâmica chamada de mineração —girou em torno de US$ 4.000 (R$ 15,2 mil) no quarto trimestre, a moeda digital é negociada abaixo de US$ 3.600 (R$ 13,5 mil) em janeiro.

Ilustração de bitcoins; a principal moeda virtual do mundo passa por período de baixa
Ilustração de bitcoins; a principal moeda virtual do mundo passa por período de baixa - Benoit Tessier/Reuters

O JPMorgan usa duas medidas para determinar um valor justo ao bitcoin: o custo marginal de produção em bases independentes e o valor intrínseco, que é baseado em um índice do consumo de eletricidade para produzir a moeda.

Para chegar ao custo médio de produção, a instituição usa valores de mineradoras de vários países. As chinesas são consideradas as mais baratas. 

O custo de uma mineradora chinesa estava próximo US$ 2.400 no último trimestre de 2018. O relatório ressalta, entretanto, que esse nível não é estático e pode cair para US$ 1.260. “Estimamos que o preço da moeda esteja 20% abaixo do seu custo de produção”, dizem os analistas.

Considerando as demais criptomoedas, a capitalização nesse mercado despencou de US$ 800 bilhões no início de 2018 para US$ 125 bilhões no último trimestre.

Em dezembro de 2017, pico de valorização, a moeda digital chegou a valer US$ 18,6 mil. Negociada a US$ 3.500 na última semana, a queda chega a 76%.

Para os especialistas, a aceitação das criptomoedas ainda é baixa, visto que elas não foram adotadas por grandes companhias do varejo. A popularidade desses ativos também se apresenta como um desafio ao banco.

Outros destaques desse mercado são a predominância de investidores individuais, à medida que a participação por instituições financeiras murchou com a deterioração da liquidez, o declínio do preço e a previsão de menor recompensa da moeda em 2020.

“A mineração de bitcoin foi impulsionada nos três primeiros trimestres de 2018 por melhorias tecnológicas, mas o colapso na lucratividade causou retração na atividade de mineradores no fim do ano.”

O termo mineração vem de uma analogia com o ouro, já que o bitcoin também é finito —são 21 milhões. Mineradores ligados em uma rede chamada blockchain (rede de blocos, na tradução livre) precisam solucionar uma função matemática complexa. 

Nessa disputa, minera mais quem tem mais poder computacional. Quanto mais potente a máquina, mais problemas ela pode resolver e mais recompensas (bitcoins) gerar. 

Criada há dez anos, a moeda ainda divide opiniões sobre servir ao consumo, como alternativa a outros meios de pagamento mediados por bancos centrais, ou se limitar à especulação de investidores.

Como outros grandes bancos, o JPMorgan é cético em relação a esse rumo.

“Mesmo nos cenários mais extremos, como em casos de recessão, há instrumentos que geram mais liquidez e são menos complicados para investir ou fazer transações”, afirma. 

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