Campanha mostra presença feminina nas lutas por direitos sociais

Ação reúne mulheres que atuam em temas como empreendedorismo e combate ao trabalho escravo

Carolina Linhares Rodrigo Borges Delfim
São Paulo

Elas estão na Justiça, na assistência social, no empreendedorismo, na luta por direitos sociais. Mas a presença feminina nessas áreas costuma ter pouco espaço no imaginário popular. Foi dessa inquietação que nasceu a campanha “Juntas Impactamos”, que estreia nas redes sociais nesta segunda (28).

“A população sempre imagina um homem, não uma mulher”, diz a advogada Juliana Armede, uma das idealizadoras do projeto, que reuniu 33 mulheres que atuam com defesa de direitos sociais e humanos, imigração, empreendedorismo, combate ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas.

Fotos da campanha Juntas Impactamos, que destaca a presença das mulheres nas lutas por direitos sociais
Fotos da campanha "Juntas Impactamos", que destaca a presença das mulheres nas lutas por direitos sociais - Chico Max

As mulheres foram retratadas para um calendário —impresso e digital—, feito especialmente para a campanha, que também traz informações sobre as áreas de atuação de cada uma. As imagens são de autoria do fotógrafo Chico Max, que já desenvolveu projetos anteriores sobre imigrantes e refugiados.

A própria data do lançamento da campanha não foi escolhida ao acaso, porque aproveita o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo —instituído em homenagem aos três auditores fiscais do trabalho e um motorista que foram mortos na apuração de uma denúncia de trabalho escravo em Unaí (MG), em 28 de janeiro de 2004.

A cada mês, o calendário homenageia mulheres reais a partir de uma data. “São mulheres que têm ações concretas, exemplos de trabalho, gente que conseguiu mudar estatística de problemas. Ali não tem ficção”, diz Armede.

Em agosto, por exemplo, quando se comemora o Dia Nacional do Voluntariado (28), uma das mulheres a estampar o calendário é Carla Aguilar, assistente social do Cami (Centro de Apoio e Pastoral do Migrante), que trabalha com a temática há 20 anos.

“O meu trabalho é lidar com questões impossíveis dentro de horários em que ninguém está disponível. O telefone toca e você tem alguém para atender do outro lado da linha, alguém que passou por alguma situação de risco, de vida ou morte”, diz.

“Geralmente a gente [mulheres] faz as coisas e isso nunca aparece”, completa a assistente social.

A campanha também ajuda a aproximar as mulheres umas das outras, independente da origem ou atuação. “Todas têm uma parte em comum, que é a dupla jornada, a correria louca do dia a dia, ser mãe. Isso faz uma empatia do ponto de vista feminino. As mulheres têm dificuldades e esperanças iguais”, ressalta a procuradora do trabalho Catarina Von Zuber, titular da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e também retratada no calendário.

Segundo Armede, a ideia é dar visibilidade às mulheres “não porque elas já não sejam reconhecidas em seus trabalhos, mas para que pessoas de fora desse grupo de atuação conheçam”.

“A gente não está no estereótipo de reclamação ou de militância no grito”, completa a advogada.

Um fruto que a iniciativa já produziu é a formação de uma rede de apoio entre as mulheres e as instituições que representam.

“Criamos também uma união. O fato de estarmos em uma campanha juntas acabou virando mais um grupo de apoio, de articulação de rede”, explica Cristina Filizzola, gestora de projetos sociais da Aliança Empreendedora, organização social que apoia negócios inclusivos e projetos para microempreendedores de baixa renda.

Informar para gerar cidadania

Ao falar sobre direitos humanos e sociais, ou seja, defender que as pessoas consigam se sustentar com trabalho, tenham um lugar para morar, tenham segurança, mobilidade, saúde e alimentação, Armede quer que as pessoas “parem de ficar tão intensamente brigando” ou “replicando opinião sem conteúdo”.

“A ideia é se informar para gerar cidadania. Queremos chamar para o diálogo, que as pessoas se deem ao trabalho de compreender temas que hoje às vezes são replicados de uma maneira superficial.”

A impressão dos calendários foi dada de presente a Armede pelo companheiro. O trabalho do fotógrafo e da maquiadora foram voluntários. Para as redes sociais, serão produzidos vídeos e conteúdos sobre os temas, as mulheres participantes e as datas comemorativas ao longo do ano.

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