Comandante da Marinha defende regime previdenciário especial para militares

'A posição da Marinha é a posição do Ministério da Defesa', disse almirante Ilques Barbosa

Talita Fernandes Rubens Valente
Brasília

O novo comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa, defendeu nesta quarta-feira (9) um sistema diferenciado para os militares no regime de previdência

"A posição da Marinha é a posição do Ministério da Defesa. Não temos previdência, nós temos um sistema de proteção social dos militares. É impróprio mencionar a palavra previdência do ponto de vista técnico. 
Nós descontamos na ativa, na reserva e reformados", afirmou Barbosa ao fim do evento em que formalizou sua posse como novo comandante da Marinha.

Ao dizer que concordava com a Defesa, o almirante se referiu a um trecho do discurso feito pelo ministro Fernando Azevedo e Silva durante a cerimônia.

"Diante das discussões sobre a reforma do sistema de proteção social dos militares foi incansável no esforço de comunicar as peculiaridades da nossa profissão, que as diferenciam da demais, fundamentando a necessidade de um regime diferenciado, visando assegurar o adequado amparo social aos militares das Forças Armadas e seus dependentes", disse ao elogiar o almirante Eduardo Leal Bacelar, que deixou nesta quarta o comando da Marinha.

O governo Bolsonaro, que é capitão reformado do Exército, tem seis militares em seu primeiro escalão, além do vice, general Hamilton Mourão.

Já defenderam publicamente uma reforma previdenciária diferenciada o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, além de Azevedo.

A reforma do sistema de aposentaria é considera crucial para o governo, especialmente para sanear as contas públicas. 

A equipe econômica planeja enviar em fevereiro uma proposta consolidada de reforma da Previdência.

O tema é alvo de discussões no governo, que pretende publicar uma Medida Provisória esta semana para fazer um pente-fino nos benefícios do INSS.

O comandante mencionou ainda uma Medida Provisória editada em 2001, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, cuja tramitação está paralisada e trata da Previdência dos militares.

"Tivemos uma MP que todos conhecem do que se trata e tivemos realmente algumas reduções. Este trabalho que tem sido feito exaustivamente pelas Três Forças já temos um ponto em comum, o ministro da Defesa está conduzindo esta negociação e estamos neste diapasão", disse.

A MP do governo de FHC acabou com a promoção automática dos militares que passam para a reserva, o auxílio-moradia e o adicional de inatividade dos militares.

O tema foi abordado recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro em evento de posse de Azevedo como ministro da Defesa, que também defendeu a aprovação do texto. 

O novo comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa
O novo comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa - AFP
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