Hidrelétrica suspende operação para proteger máquinas após desastre da Vale

Com 82 MW em capacidade, a usina tem como principais sócios Furnas, subsidiária da Eletrobras, e a estatal mineira Cemig

São Paulo | Reuters

A hidrelétrica de Retiro Baixo, em Minas Gerais, suspendeu operações para preservar seus equipamentos, disse a estatal Eletrobras em comunicado na noite de terça-feira (30), dias após o rompimento de uma barragem da Vale que deixou dezenas de mortos e jogou um fluxo de rejeitos de mineração no rio Paraopeba.

Com 82 megawatts em capacidade, a usina tem como principais sócios Furnas, subsidiária da Eletrobras, e a estatal mineira Cemig.

"Foi interrompida a operação da usina, realizados testes de vertedouro e fechadas as tomadas de água para preservar os equipamentos", afirmou Furnas, acrescentando que "está em contato com as autoridades competentes para avaliar os reflexos causados pelo deslocamento da lama e tomar novas providências".

A empresa também garantiu que "a barragem de Retiro Baixo está em condições adequadas de segurança", tendo sido fiscalizada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 2018.

A suspensão das operações da hidrelétrica não tem impactos relevantes sobre a oferta de energia devido ao pequeno porte da unidade frente à capacidade instalada de geração no Brasil, mas especialistas apontam que a paralisação pode se prolongar a depender da quantidade e da densidade dos rejeitos.

A hidrelétrica de Candonga, também em Minas Gerais, por exemplo, ainda não retomou a geração desde que foi atingida no final de 2015 por um fluxo de rejeitos gerado após o rompimento de uma barragem em Mariana da Samarco —empresa de mineração da Vale e da BHP.

A Aneel informou nesta quarta que iniciou a criação de uma força-tarefa para fiscalizar presencialmente barragens de cerca de 130 hidrelétricas até maio, em movimento disparado após a tragédia de Brumadinho.

A agência é responsável pela fiscalização de um total de 616 barragens no Brasil, em 437 usinas, sendo que entre 2016 e 2018 houve vistorias presenciais em 122 empreendimentos, segundo comunicado da autarquia nesta terça-feira.

A Aneel acrescentou que exigirá em 2019 uma atualização dos planos de segurança de barragens de todas usinas que estão sob sua fiscalização, independente do nível de risco, em medida que atende deliberação do Conselho Ministerial de Supervisão de Respostas a Desastres na véspera.

Hidrelétrica de Retiro Baixo, em Minas Gerais
Hidrelétrica de Retiro Baixo, em Minas Gerais - Divulgação
Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.