Descrição de chapéu Tragédia em Brumadinho

Nota da Vale pode cair vários degraus após Brumadinho, diz agência

S&P põe em observação classificação da empresa em razão das implicações financeiras do desastre

Brumadinho (MG) e Londres | Financial Times

A agência de classificação de risco S&P anunciou que poderá rebaixar a nota da Vale em vários degraus em razão das implicações financeiras decorrentes do desastre de sexta-feira (25), em Brumadinho (MG).

Segundo a S&P, o fato de uma tragédia semelhante ter acontecido antes potencializa os riscos para a empresa. A agência se referia à maior catástrofe ambiental brasileira, o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, em novembro de 2015. O reservatório era da Samarco, empresa da qual a Vale é sócia, ao lado da BHP Billiton.

“Acreditamos que a Vale enfrenta vários riscos decorrentes do desastre. Suas obrigações financeiras para remediar e compensar as perdas podem ser substanciais, e a empresa pode ter de enfrentar escrutínios extensos e complexos de entidades ambientais e órgãos reguladores que resultariam em suspensões de licenças”, disse a S&P em comunicado neste sábado (26).

A agência colocou a nota da empresa, que é BBB-, em observação (CreditWatch), com implicações negativas. Isso significa que a classificação da mineradora pode ser rebaixada no curto prazo.


Neste sábado, a Justiça de Minas Gerais determinou o bloqueio de R$ 5 bilhões da Vale para garantir a adoção de medidas emergenciais e a reparação de danos ambientais.

Além disso, o Ibama anunciou a aplicação de multa de R$ 250 milhões à mineradora por danos ambientais.

Na sexta-feira, os ADRs (recibos de papéis de ações) da Vale negociados em Nova York fecharam em queda de 8% (a Bolsa de São Paulo não abriu).

Advogados representando vítimas da tragédia da Samarco dizem que as implicações financeiras do novo desastre são potencialmente debilitantes para a Vale. 

“Isso coloca em questão a viabilidade financeira da Vale no futuro por causa da grande escala de seus potenciais passivos”, disse à Reuters Tom Goodhead, advogado da SPG Law, envolvida em ações legais em nome de centenas de milhares de pessoas afetadas pelo desastre da Samarco.

Com a Reuters

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