Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Governo promete preços internacionais e maior competição no setor de petróleo

Em discurso, Roberto Castello Branco defendeu o liberalismo econômico e criticou monopólio

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O novo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse nesta quinta (3) que o governo Jair Bolsonaro não vai interferir na política de preços dos combustíveis da Petrobras, mesmo em caso de disparada das cotações internacionais.

Ele participou da posse do novo presidente da companhia, Roberto Castello Branco, na qual os dois defenderam maior competição em segmentos como refino e distribuição de combustíveis como alternativa para garantir melhores preços ao consumidor.

 “Não há qualquer possibilidade de intervenção no preços dos combustíveis”, afirmou o ministro, em entrevista após a cerimônia de posse, no Rio, que contou com a presença também do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do governador do Rio, Wilson Witzel, além de autoridades e executivos do setor.

O Brasil acaba de passar por um programa de subvenção ao preço do diesel, que garantiu desconto de até R$ 0,30 por litro a empresas que se comprometeram a vender o produto a preço tabelado. O subsídio foi criado para por fim à greve dos caminhoneiros, que reclamavam da escalada dos preços.

O ministro declarou que o governo trabalhará para garantir maior transparência e competição no mercado, com o objetivo de garantir “preços justos” para o consumidor. Ele não quis, porém, avaliar se os valores cobrados atualmente no país são altos ou baixos.

Em seu discurso, Castello Branco também defendeu alinhamento aos preços no exterior e disse ser contrário à criação de um imposto flexível sobre os combustíveis, proposta que constava do programa eleitoral de Bolsonaro como medida para suavizar volatilidades internacionais.

 “Preços de mercado exercem papel importante numa economia, sinalizando o que se pode consumir mais e o que se pode consumir menos. A colocação desse imposto apaga esse farol, seria uma intervenção do Estado”, afirmou, em entrevista após receber os cumprimentos dos presentes.

A política comercial da companhia passou a receber fortes questionamentos com a escalada dos preços no primeiro semestre de 2018, sendo criticada até por integrantes do governo Michel Temer, que indicou os executivos responsáveis por sua elaboração. Com o petróleo em queda, porém, gasolina e diesel fecharam o ano em queda nas refinarias.

AMANTES DA COMPETIÇÃO

Parte do grupo auto-apelidado “Chicago Oldies” (os "Velhos de Chicago", referência à universidade americana por onde passaram Guedes e outros integrantes da área econômica do governo), Castello Branco reforçou em seu discurso a defesa do liberalismo já feita pelo ministro da Economia em sua posse, na quarta (2).

“Somos amantes da competição”, afirmou. Ele defende maior a abertura do setor para empresas estrangeiras e redução do papel da estatal em segmentos onde hoje a empresa é monopolista de fato, como refino, logística e gás natural. 

Assim como no plano federal, uma das prioridades da Petrobras será reduzir o endividamento e, consequentemente, seu custo de capital. Para isso, focará no aumento da produção do petróleo, onde o executivo vê maior rentabilidade, e reavaliará sua presença em outros segmentos, colocando ativos à venda.

Castello Branco evitou adiantar quais áreas ou ativos poderão ser vendidos, alegando que as avalições ainda serão feitas - antes da eleição, o governo Bolsonaro chegou a falar em venda da BR Distribuidora; o governo Temer havia iniciado um processo de venda de participações em refinarias.

Mas adiantou que a “solidão” no refino incomoda a companhia. Atualmente, a Petrobras é responsável por 98% da capacidade nacional de produção de derivados.

 A empresa chegou a abrir processo para a venda de fatias em quatro refinarias, mas as negociações foram suspensas após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) determinando avaliação do Congresso para a privatização de ativos estatais.

Castello Branco defendeu que a estratégia tem como objetivo fortalecer a companhia, que se diversificou e cresceu demais. “O relevante é ser forte e não gigante”, argumentou, em seu discurso, no qual agradeceu seus antecessores Ivan Monteiro e Pedro Parente a “salvar a companhia do rebaixamento à segunda divisão”.

O novo presidente da estatal ainda não definiu quem comporá a diretoria da empresa. Dois diretores da gestão anterior – Nelson Silva, da área de estratégia, e Jorge Celestino – deixaram a companhia antes do Natal.

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