Petrobras abre processo para arrendar fábricas de fertilizantes na Bahia e em Sergipe

A companhia não tem mais interesse em permanecer no setor

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

A Petrobras anunciou nesta quinta (9) a abertura de processo para buscar interessados no arrendamento de suas fábricas de fertilizantes na Bahia e em Sergipe. A companhia não tem mais interesse em permanecer no setor e já havia anunciado a suspensão das operações.

A busca por novos operadores atende a pleito dos governos dos estados, que não querem perder empregos e receitas com o fechamento das unidades. 

A estatal está impossibilitada de vender controle de subsidiárias por liminar do STF (Supremo Tribuna Federal) e já havia provisionado em seu balanço perdas com a paralisação total das unidades.

Em comunicado divulgado nesta quinta, a Petrobras diz que abrirá um prazo para manifestação de empresas que possam ter interesse em participar de licitação para o arrendamento.

"A transferência da operação depende da existência de interessados habilitados na etapa de pré-qualificação e da realização do processo de licitação", diz o texto. Além das duas fábricas, chamadas de Fafen-BA e Fafen-SE, a Petrobras incluiu no pacote os terminais marítimos de amônia e ureia do porto de Aratu, na Bahia.

A hibernação das unidades foi anunciada inicialmente em março de 2018, sob a alegação de que o negócio de fertilizantes não está mais nos planos da companhia. 

Em comunicado ao mercado na ocasião, a empresa acrescentou que as duas fábricas deram prejuízo de R$ 800 milhões em 2017. No fim daquele ano, ainda antes da liminar do STF, contabilizou perda de R$ 1,3 bilhão com os ativos, diante da baixa probabilidade de venda. 

"Considerando a baixa perspectiva de sucesso na alienação de determinadas plantas, [a Petrobras] decidiu dar continuidade aos seu posicionamento estratégico de sair desse negócio", explicou a empresa, em seu balanço.

A ideia era iniciar o processo de hibernação até o fim do primeiro semestre de 2018, mas o processo foi adiado a pedido dos estados, que pediram estudos de alternativas para manter as fábricas em funcionamento. 

Em outubro, a Petrobras agendou o início dos procedimentos de hibernação para o próximo dia 31. Na Bahia, porém, uma das unidades da fábrica foi paralisada no último dia 4, o que levou sindicatos a alertar para a antecipação do processo.

A Petrobras diz que a suspensão da unidade de produção de ureia ocorreu por excesso de estoques e que ela pode voltar a operar até a data da paralisação completa das atividades. 

Na Bahia, os procedimentos para parar a unidade começaram a ser tomados nas últimas semanas. Segundo a FUP (Federação Única dos Petroleiros), a produção foi totalmente paralisada no último dia 4.

O procedimento de hibernação seguirá em curso, em paralelo à busca por novos operadores. O processo consiste em paralisar as atividades e adotar ações para a conservação dos equipamentos e prevenção de impactos ambientais.

A Petrobras chegou a iniciar as obras de duas novas fábricas de fertilizantes no país, uma no Mato Grosso do Sul e outra em Minas Gerais. A primeira, com 80,95% das obras construídas, chegou a ser incluída no plano de venda de ativos mas ainda não foi vendida.

O segundo empreendimento ainda estava em fase inicial e foi descontinuado, com leilão dos equipamentos já comprados.

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