Principal negociador comercial da China visita EUA no fim de janeiro

Liu He deve encontrar o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin

Pequim e Washington | agências de notícias

O vice-primeiro-ministro da China, Liu He, principal negociador comercial de seu país com os Estados Unidos, visitará Washington nos dias 30 e 31 de janeiro para a próxima rodada de negociações comerciais com os americanos, disse o  Ministério chinês do Comércio, nesta quinta-feira (17).

A visita programada de Liu acontece após negociações de nível inferior realizadas em Pequim na semana passada para resolver a disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo antes da elevação prevista para 2 de março das tarifas dos EUA sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses.

Liu He se reunirá com dirigentes americanos para conter os atritos comerciais e "aplicar o consenso" obtido entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump durante sua reunião de 1º de dezembro, disse à imprensa o porta-voz do Ministério, Gao Feng.

Uma fonte familiarizada com o planejamento da Casa Branca disse nesta semana que Liu aceitou um convite para ir a Washington para negociações com o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin.

Mas os atritos continuam. Nesta quinta, o Ministério de Relações Exteriores da China disse que uma proposta de legislação dos Estados Unidos contra Huawei, ZTE e outras fabricantes chinesas de equipamentos para telecomunicações é "histeria" e pediu para os congressistas americanos não levarem adiante a ideia.

A porta-voz do ministério Hua Chunying fez o comentário durante entrevista coletiva regular realizada em Pequim.

Na quarta-feira, um grupo bipartidário de parlamentares dos EUA propôs leis que vão proibir a venda de chips americanos ou outros componentes para a Huawei Technologies, ZTE ou outras companhias chinesas que, segundo eles, violam sanções dos EUA ou regras de controle de exportações.

Os projetos de lei citam especificamente a ZTE e a Huawei, ambas consideradas sob suspeita pelos Estados Unidos por causa de temores de que seus produtos possam ser usados para espionar americanos.

Vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, principal negociador comercial de seu país
Vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, principal negociador comercial de seu país - REUTERS

EUA X UE

Em outro front de disputas comerciais, o presidente da Comissão Financeira do Senado dos EUA, Charles Grassley, disse na quarta-feira (16) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve seguir em frente com a imposição de novas tarifas sobre veículos importados, uma medida que pode levar a União Europeia a firmar um novo acordo.

“Eu acho que o presidente está inclinado a fazê-lo”, disse o senador republicano a repórteres. “Eu acho que a Europa está muito, muito preocupada com essas tarifas... pode ser o instrumento que leve a Europa a negociar”.

O Departamento de Comércio dos EUA deve emitir até o meio de fevereiro sua recomendação sobre se Trump deve impor tarifas de até 25% sobre peças automobilísticas e carros importados por motivos de segurança nacional. Uma porta-voz do departamento se recusou a comentar.

Grassley, que tem frequentemente participado de conversas com Trump e com o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, sobre questões de comércio, disse não gostar de novas tarifas, mas que “elas são um fato da vida quando Trump está na Casa Branca”.

Ele disse que as tarifas podem ter sido uma ferramenta efetiva para levar a China, Canadá e México à mesa de negociações comerciais. Em novembro, os países assinaram autorização para um novo acordo de comércio que substitui o antigo Nafta (Tratado de Livre Comércio da América do Norte).

Senador pelo Estado de Iowa, Grassley também quer que a União Europeia concorde em incluir questões agrícolas nas negociações comerciais, embora a comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmström, tenha dito na semana passada que o bloco de 28 países não pode negociar a agricultura.

A Casa Branca tem se comprometido a não impor as tarifas contra a União Europeia ou o Japão enquanto estiver alcançando progresso construtivo em conversas comerciais bilaterais.

Trump tem pedido que a União Europeia reduza sua tarifa de 10% sobre veículos importados. A tarifa dos Estados Unidos é de 2,5% sobre carros de passageiros e de 25% sobre caminhões.

Trump tem repetidamente ameaçado impor novas tarifas automobilísticas.  

A perspectiva de tarifas de 25% abalou a indústria de veículos, com produtoras americanas e estrangeiras fazendo campanha contra a medida.

Montadoras alemãs se encontraram com Trump em dezembro para pedir que o presidente não imponha as tarifas.  

As fabricantes alegam que tarifas de 25% elevariam o preço cumulativo de veículos americanos em US$ 83 bilhões por ano e custariam centenas de milhares de empregos. As companhias afirmam que não há nenhuma evidência de que importações de automóveis representem um risco para a segurança nacional.

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