Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Após protestos, Amazon desiste de nova sede em NY, que criaria 25 mil empregos

Incentivos fiscais e impactos urbanos levaram a oposição ao projeto

Nova York | The Wall Street Journal

A Amazon vai abandonar seus planos para construir uma segunda sede em Nova York, depois de enfrentar séria resistência de políticos locais que era contra conceder a uma das empresas mais valiosas do mundo bilhões de dólares em incentivos fiscais.

“Embora as pesquisas de opinião pública demonstrem que 70% dos nova-iorquinos apoiam os nossos planos e investimento, diversos políticos estaduais e locais deixaram claro que se opõem à nossa presença e que não trabalharão conosco para construir o tipo de relacionamento necessário para que levemos adiante o projeto que nós e muitos outros planejávamos em Long Island City”, informou a empresa nesta quinta (14).

A Amazon dedicou um ano a conduzir uma pesquisa pública quanto ao local de sua segunda sede, e centenas de cidades disputaram a oportunidade de receber os 50 mil empregos e US$ 5 bilhões (R$ 18,6 bilhões) em investimento prometidos. 

Loja da Amazon Books, em Nova York
Loja da Amazon Books, em Nova York - Brendan McDermid/Reuters

Em novembro, a empresa decidiu que dividiria a segunda sede entre a Virgínia e a cidade de Nova York, em parte para garantir acesso a talentos tecnológicos em número suficiente.

A companhia anunciou que não reabrirá o processo de seleção da segunda sede. Ela pretende continuar a criar postos de trabalho em sua nova unidade no norte da Virgínia, bem como em seus escritórios em Nashville e em outros polos de tecnologia espalhados pelos EUA.

A companhia vinha enfrentando críticas de algumas autoridades locais em Nova York, que questionavam a concessão de US$ 3 bilhões (R$ 11,3 bilhões) em incentivos fiscais municipais e estaduais ao projeto.

Começaram a surgir fissuras no processo na semana passada, quando executivos da Amazon decidiram rediscutir o campus planejado para Nova York. Discussões com a Amazon levaram alguns representantes do governo a se preocupar com a possibilidade de que a companhia decidisse abandonar seu plano de criar 25 mil empregos e investir US$ 2,5 bilhões (R$ 9,32 bilhões) no bairro de Long Island City.

Causa de especial preocupação para alguns executivos da Amazon foi a indicação do senador estadual Mike Gianaris, de Nova York, oponente declarado do acordo, para um posto em um conselho estadual no qual ele teria poder para vetar o plano de desenvolvimento, disseram pessoas informadas sobre o assunto.

A indicação de Gianaris para o posto precisa da aprovação do governador Andrew Cuomo.
“Uau”, disse Gianaris, logo que surgiu a notícia.

O governador Cuomo e o prefeito de Nova York, Bill Blasio, democratas como Gianaris e adversários frequentes em questões políticas, comandaram o esforço para atrair a Amazon, e continuam a apoiar o projeto.

Mas políticos locais questionaram todos os aspectos da ideia, do seu impacto sobre os transportes ao aumento dos custos da habitação na região, assim como a oposição da Amazon à sindicalização de seus trabalhadores.

“A Amazon se recusa a mudar e aceitar os valores de Nova York”, disse o vereador Jimmy Van Bramer, oponente declarado do plano, na quinta-feira (7).

Membros do Legislativo municipal de Nova York solicitaram depoimentos de dirigentes da Apple sobre a proposta; a próxima audiência estava marcada para 27 de fevereiro. Centenas de pessoas compareceram à primeira audiência, que em determinados momentos teve lemas de protesto gritados pelos espectadores e diálogos acalorados entre representantes da Amazon e alguns vereadores.

A deputada estadual Catherine Nolan, democrata que representa o distrito de Queens que teria abrigado a nova sede, disse que um executivo da Amazon a havia informado pouco antes do meio-dia de que a empresa abandonaria o projeto.

“Eles acabam de decidir que deixarão a ideia de lado”, disse Nolan. “Foram devorados vivos, e isso é uma vergonha.”

Algumas representantes da Amazon ficaram surpresos com a oposição, disseram pessoas informadas sobre o assunto. A companhia havia buscado especificamente um local que a recebesse bem, durante o processo.

Enquanto isso, o governador da Virgínia assinou na semana passada a lei que aprova o plano estadual de incentivo à Amazon. O campus planejado pela companhia para o bairro de Crystal City, em Arlington, Virgínia, encontrou pouca resistência.

The Wall Street Journal, traduzido do inglês por Paulo Migliacci

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