BR Distribuidora fecha 2018 com lucro de R$ 3,2 bilhões

Administração da empresa propõe distribuir 96% do resultado a acionistas

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

Em seu primeiro balanço anual após voltar a ter ações em bolsa, a subsidiária da Petrobras BR Distribuidora apresentou lucro de R$ 3,2 bilhões, alta de 177,4% em relação a 2017. A direção da empresa propõe a distribuição de 96% desse resultado aos acionistas.

Maior distribuidora de combustíveis do Brasil, a BR teve ações lançadas em bolsa em dezembro de 2017. Na operação, a Petrobras vendeu por R$ 5 bilhões uma parcela de 28,75% do capital da companhia. Os papéis foram comprados por investidores privados pelo valor mínimo.

Em 2018, a companhia já havia distribuído outros R$ 1,1 bilhão de dividendos, o equivalente a 95% do lucro líquido de 2017. Agora, vai propor aos acionistas a distribuição de R$ 3 bilhões –dos quais R$ 563 milhões já haviam sido aprovados em novembro.

Caminhão chega para reabastecer posto de combustível da BR na avenida Pacaembu
Caminhão chega para reabastecer posto de combustível da BR na avenida Pacaembu - Eduardo Anizelli/Folhapress

"Foi um ano de muitas conquistas e muitos desafios para a companhia. Mesmo em meio a discussões regulatórias e um mercado retraído –com performance abaixo de 2017 agravada pela greve dos caminhoneiros– a companhia atingiu bons resultados", disse a BR, no balanço divulgado nesta terça (26).

Caso a proposta seja aprovada em assembleia, a Petrobras ficará com R$ 2,16 bilhões e os sócios privados, com R$ 870 milhões. 

Entre a reestreia na bolsa, no dia 15 de dezembro de 2017 e esta segunda (25), o valor das ações da companhia subiu 63,5%, quase o dobro do Ibovespa, o principal índice do pregão paulista, que subiu 34% no período.

Em 2018, o volume de vendas da distribuidora caiu 3,8%, para 41,5 bilhões de litros. A receita subiu 15,6%, para R$ R$ 97,7 bilhões, acompanhando a alta dos preços dos combustíveis durante o ano. O resultado da companhia contou com reforço ainda do reconhecimento de dívidas pelo Sistema Eletrobras.

Em abril, as duas empresas assinaram acordo para o pagamento de em 36 parcelas de R$ 4,6 bilhões referentes a calotes na compra de combustível para térmicas por empresas de distribuição de energia na região Norte. As distribuidoras foram privatizadas durante o ano passado.

Segundo a BR, até o momento nove parcelas da dívida foram pagas, além de duas antecipações de distribuidoras de foram compradas pelo grupo Energisa, no valor de R$ 1,8 bilhão. 

A BR já havia sido uma companhia de capital aberto, mas teve as ações recompradas pela Petrobras em 2000. Em 2016, a venda de ações entrou nos planos da administração Pedro Parente, como parte do plano de venda de ativos da estatal. 

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, o atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, já admitiu não descartar a venda da participação remanescente na distribuidora, alegando que se trata de um negócio de varejo, que não estaria no foco das atuações da estatal.

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