Embraer aguarda Justiça para votar acordo com a Boeing

Assembleia de acionistas marcada para esta terça-feira (26) foi suspensa por liminar

Joana Cunha
São Paulo

A Embraer chega aos passos finais da operação de venda de sua divisão de aviação comercial à Boeing com impasses para a realização do negócio. 

A assembleia-geral extraordinária, agendada para esta terça-feira (26) foi suspensa após uma liminar concedida pela Justiça Federal de São Paulo na sexta-feira (22) em uma ação civil pública movida por sindicatos de metalúrgicos. 

Na assembleia desta terça, os acionistas deveriam deliberar sobre a venda, em um dos últimos passos para a concretização da transação. Depois disso, o acordo final pode ser assinado pelas empresas e seguir para análise das autoridades reguladoras brasileiras e internacionais.

A fabricante de aviões brasileira afirmou que iria recorrer para tentar fazer com que a assembleia ainda fosse realizada nesta terça. 

A resistência dos sindicatos é apenas um dos entraves. 

A despeito da oferta de US$ 1,6 bilhão em dividendos aos acionistas embutida no negócio, ainda há minoritários rejeitando a operação. 

Um dos opositores é a Abradin, associação de investidores liderada pelo economista Aurélio Valporto, que também chegou a mover uma ação civil pública —extinta pela Justiça na semana passada—, mas ainda questiona diversos aspectos da transação. 

E até o governo, apesar do aval ao negócio concedido pelo presidente Jair Bolsonaro em janeiro, ainda busca informações sobre o assunto.

O vice-presidente Hamilton Mourão recebeu a Abradin na terça-feira (19).

Valporto levou a Mourão, entre outras observações, trechos do acordo que diz considerar "sensíveis" para o futuro do cargueiro KC 390, como a instalação da sede da EB Defense, joint-venture que abrigará atividades ligadas ao avião, em Delaware, nos Estados Unidos.
 
Conforme o acordo, além da venda do controle da divisão de aeronaves comerciais, em que a Boeing terá 80%, formando a empresa Newco, será composta uma  joint-venture para o KC-390, da qual a Embraer terá 51% e a Boeing, 49%.

Valporto também relata ter levado a Mourão a preocupação de que a joint-venture do KC-390 desenvolverá sua própria marca, ou seja, o cargueiro pode não trazer a marca Embraer, segundo o presidente da Abradin. 

Outro ponto sensível no entorno do KC-390, diz Valporto, será a entrega da Licença FAB pela Embraer à Boeing. 

Procurada, a fabricante nega a existência de tais riscos. 

"A joint-venture do KC-390 será controlada pela Embraer e buscará as melhores formas de promover e comercializar a aeronave no mercado internacional. A propriedade intelectual da Força Aérea Brasileira relacionada ao KC-390 permanecerá com a própria FAB, que receberá royalties de todas as vendas realizadas", afirma, em nota, a fabricante de aviões brasileira. 

A Boeing não se manifestou. 

Dois dias após Mourão ter ouvido as reclamações de Valporto, na quinta (21), o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, foi até Gavião Peixoto (SP), reunir-se com Jackson Schneider, vice-presidente-executivo do negócio de Defesa e Segurança da Embraer. 

Procurada, a Embraer disse que o encontro foi apenas uma visita feita pelo ministro aos projetos estratégicos das Forças Armadas que estão a cargo da Embraer, o cargueiro KC-390 e o caça Gripen. 

Na ocasião, o Ministério da Defesa divulgou em seu site um texto afirmando que o ministro foi ao local conhecer o desenvolvimento do KC-390.

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