Descrição de chapéu Financial Times

Ex-executivo da Apple é acusado de usar informação privilegiada

Ex-diretor vendeu US$ 10 mi em ações antes da divulgação de balanço negativo, diz SEC

Tim Bradhshaw
Londres

A Securities and Exchange Commission (SEC), agência federal que regulamenta os mercados de valores mobiliários dos Estados Unidos, acusou um advogado sênior da Apple por "insider trading" [transações financeiras envolvendo o uso de informações privilegiadas] com ações da fabricante do iPhone, o que incluiria uma venda de US$ 10 milhões em ações no ano de 2015, poucos dias antes de a empresa anunciar resultados decepcionantes.

Gene Levoff, que até setembro era diretor jurídico sênior de lei empresarial e secretário do conselho da Apple, "aproveitou sua posição como advogado de primeiro escalão para negociar títulos da Apple irregularmente antes do anúncio dos resultados trimestrais da empresa", a SEC acusa em um processo judicial aberto em Nova Jersey.

Casos de "insider trading" como esse não são incomuns na SEC, que abriu 56 processos no ano passado, o equivalente a cerca de 10% das 490 investigações que a agência conduziu, de acordo com suas estatísticas.

Mas o caso de Levoff, 44, se destaca porque ele era responsável por policiar o "insider trading" na Apple, de acordo com a SEC, supervisionando uma equipe formada por cerca de 30 advogados e pesquisadores jurídicos.

Como membro do comitê de divulgação da empresa a partir de 2008, em companhia de executivos como o vice-presidente jurídico e o vice-presidente de finanças e vendas da Apple, Levoff recebia informações sobre os resultados da empresa duas semanas antes que estes fossem revelados aos acionistas.

A SEC afirma que em julho de 2015 ele foi informado em detalhes de que a Apple não atingiria as expectativas dos analistas quanto ao volume de vendas do iPhone. Em seguida, vendeu US$ 10 milhões em ações da Apple pouco antes que estas caíssem em 4% —em um período no qual o valor de mercado da empresa caiu em US$ 32 bilhões, quando os números foram divulgados. A SEC afirma que a transação permitiu que ele evitasse cerca de US$ 345 mil em prejuízos.

"Levoff violou seu dever de confidencialidade para com a Apple e seus acionistas, e explorou informações da empresa em benefício próprio", a SEC afirmou em sua queixa.

A Apple recentemente deixou de divulgar o volume de vendas do iPhone, que por muito tempo foi o indicador que tinha maior probabilidade de causar movimento em suas ações depois da divulgação de resultados.

Em outros supostos incidentes de "insider trading", Levoff ganhou US$ 4,7 mil quando a Apple superou as expectativas dos analistas em outubro de 2015, e depois evitou de novo um prejuízo, dessa vez de US$ 32 mil, em abril de 2016, quando a Apple reportou seu primeiro declínio anualizado de receita em 13 anos.

A Apple demitiu Levoff em setembro de 2018. Um porta-voz da Apple não respondeu a um pedido de comentário. Levoff não foi localizado de imediato para comentar.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Financial Times
Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.