Gestor brasileiro preso nos EUA se declara culpado por fraude de US$ 750 mil

Marcos Elias ficou preso na Suíça entre junho e agosto de 2018, quando foi extraditado

Danielle Brant
Nova York

O gestor de investimentos Marcos Elias, 47, se declarou culpado, na última segunda-feira (4), de conspiração para cometer fraude eletrônica e roubo agravado de identidade em um esquema que desviou mais de US$ 750 mil (R$ 2,7 milhões) de um banco de Manhattan.

A informação foi anunciada pelo procurador Geoffrey Berman, do tribunal do distrito sul de Nova York. Ele afirmou que o brasileiro confessou a culpa à juíza Laura Taylor Swain. Elias foi extraditado da Suíça a Nova York em 28 de agosto de 2018, e está preso desde então.

O brasileiro, sócio da Modena Capital, responde por uma acusação de conspiração para cometer fraude eletrônica, que possui sentença máxima de 30 anos, e por uma acusação de roubo agravado de identidade, com uma sentença mínima obrigatória e consecutiva de dois anos. A pena deve ser anunciada pela juíza em 4 de abril.

Procuradoria de Nova York e o FBI anunciaram a extradição para os Estados Unidos de Marcos Elias
Procuradoria de Nova York e o FBI anunciaram em setembro a extradição para os EUA de Marcos Elias - Yuri Gripas/AFP

Elias –um dos fundadores, em 2010, da consultoria de investimentos Empiricus, onde ficou até 2012– ficou preso na Suíça entre junho e agosto de 2018, quando foi extraditado. Ele teria participado de um esquema fraudulento que desviou mais de US$ 750 mil de um banco de Manhattan usando documentos falsos e identidades roubadas de correntistas da instituição.

A procuradoria americana acusa Elias de montar um esquema de fraude “sofisticado” que envolvia uma empresa de fachada no Panamá e uma conta bancária em Luxemburgo.

Os documentos relacionados ao processo na justiça americana dizem que, desde pelo menos 2012, uma empresa brasileira detinha uma conta em uma instituição financeira sediada em Manhattan. A empresa seria o grupo varejista Zaffari, e a conta pertenceria a um dos integrantes da família Zaffari.

Questionado em setembro de 2018, o Grupo Zaffari disse que possuía uma conta em uma instituição financeira nos EUA, para suas atividades de importação e exportação. Em 2014, ao perceber que a conta havia sido violada, o grupo notificou imediatamente a instituição financeira envolvida e passou a colaborar com as investigações das autoridades americanas. O Zaffari já foi restituído do valor depositado.

Segundo a procuradoria, a partir de junho de 2014, Elias começou a se corresponder com um vice-presidente do banco sobre uma conta bancária no nome da empresa brasileira.

O funcionário da instituição americana, então, passou a receber emails supostamente de um empregado da companhia e que o instruíam a transferir dinheiro a uma conta bancária de Luxemburgo, que parecia estar no nome dessa companhia brasileira.

Mais tarde, os investigadores descobriram que os emails foram enviados de um endereço criado no mesmo dia e que nunca havia sido usado pelo empregado da empresa brasileira. Esse email continha instruções falsas com uma assinatura forjada.

Por causa dos documentos falsos, em julho de 2014 o banco transferiu US$ 752 mil da conta da empresa para a conta bancária em Luxemburgo, acreditando se tratar de um pedido legítimo do cliente. 

Mas a transferência, na verdade, não tinha sido autorizada pela empresa brasileira, que também não tinha conta bancária ou de outro tipo em Luxemburgo e não havia enviado os emails com os supostos pedidos.

O beneficiário da conta em Luxemburgo, os investigadores descobriram, era o próprio Elias. A conta havia sido aberta em nome de uma empresa no Panamá na semana anterior à transferência fraudulenta.

A conta em Luxemburgo era mantida no nome da empresa brasileira para criar a falsa impressão de que o dinheiro dessa companhia estava sendo transferida para outra conta que pertencia e ela, quando, na verdade, o beneficiário era o sócio da Modena.

A Procuradoria também acusa Elias de tentar obter dinheiro de uma segunda instituição financeira em Manhattan usando o dinheiro e suposto passaporte do dono da conta bancária sem a autorização dele.

Elias ajudou a fundar a consultoria de investimentos Empiricus em 2010. Três anos depois, o grupo americano Agora comprou metade da empresa por um valor não revelado.

Em setembro de 2018, a Empiricus disse que Elias deixou a companhia em 2012, "anos antes dos acontecimentos relatados". "Desde sua saída, nenhum sócio ou colaborador da Empiricus manteve qualquer tipo de contato com ele", afirma.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.