Inflação em janeiro avança 0,32%, puxada por alimentos e bebidas

Combustíveis continuem em queda; IPCA tem alta de 3,78% em 12 meses

Arthur Cagliari
São Paulo

Pressionada pelo setor de alimentos e bebidas, a inflação atingiu 0,32% em janeiro, informou o IBGE nesta sexta-feira (8).

Em 12 meses, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 3,78%, ainda abaixo do centro da meta do governo, então de 4,5%.

Dentro do grupo alimentação em domicílio, o impacto veio em maior parte pela alta do feijão carioca (19,76%), da cebola (10,21%), das frutas (5,45%) e das carnes (0,78%).

"No caso das frutas, é um aumento de demanda comum nos meses mais quentes do ano", explicou o analista do IBGE Pedro Costa.

Segundo Elson Teles, economista do Itaú, esse grupo foi o que menos destoou das projeções de preços para o mês. "Geralmente sobe mesmo, por uma questão sazonal. Alimentos in natura sofrem porque é um período chuvoso." A previsão do banco para a inflação em janeiro era de alta de 0,37%.

A alimentação fora de casa também acelerou, chegando a 0,79%, enquanto em dezembro a alta foi de 0,33%.

Pelo terceiro mês consecutivo os combustíveis caíram. Desta vez, porém, com uma queda de 2,09%, não tão acentuada como a de 4,25% no mês passado.

A tendência é que em fevereiro os combustíveis continuem em queda, afirma Teles. "A gasolina e o etanol devem se manter nesse ritmo, o que segura um pouco a inflação. Isso é reflexo de reajustes defasados das refinarias."

Em janeiro, o maior impacto veio da gasolina, com uma retração de 2,41%. Com exceção de Salvador, onde esse combustível registrou alta de 1,50%, as demais áreas apresentaram queda, tendo a cidade de Aracaju o maior recuo, de 5,98%.

Apesar dos combustíveis recuarem, o segmento de transportes avançou no primeiro mês de 2019, após a deflação de 0,54% em dezembro. A maior contribuição para que esse grupo crescesse veio dos ônibus urbanos, que apresentaram alta de 2,67%. 

O movimento positivo foi puxado por reajustes nesse transporte de cinco das 16 regiões pesquisadas durante o período, apresentando Belo Horizonte a maior alta (11%). São Paulo tem o segundo maior aumento, (7,50%),que ocorreu em 7 de janeiro.

Segundo o analista do IBGE, o desempenho positivo nos transportes ocorreu tanto pelos preços dos combustíveis que não caíram tanto, como ocorreu em dezembro, como pelo aumento dos preços nos ônibus urbanos, que possuem forte importância na composição do grupo. "O aumento em Belo Horizonte e São Paulo impacta bastante porque são regiões que têm peso importante."

Já o grupo habitação, que também teve deflação em dezembro, agora avança 0,24%. Os destaques para esse crescimento ficaram com os aluguéis residenciais (0,42%) e os condomínios (0,77%). Já a energia elétrica, embora continue em queda (-0,13%), registrou um recuo menos brusco que o do mês passado, de 1,96%.

Somente os preços de Vestuário apresentaram deflação em janeiro, de 1,15%, contra alta de 1,14% no mês anterior.

"Se pegarmos os últimos anos, vemos que em dezembro há uma alta nos preços desse grupo, por causa das vendas no Natal, e liquidações em janeiro”, disse Costa.

Com Reuters

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