Descrição de chapéu Governo Bolsonaro Previdência

Previdência só deve ser apresentada ao Congresso após alta de Bolsonaro

Segundo médicos, ainda não há estimativa para presidente deixar hospital

Talita Fernandes
Brasília

A apresentação da reforma da Previdência ao Congresso só deve acontecer após a saída do presidente Jair Bolsonaro do hospital.

"O tempo desta análise vai depender naturalmente da saída do presidente e saindo, pronto, pela porta da frente do hospital Albert Einstein", afirmou o porta-vez do governo, Otávio Rêgo Barros. 

Submetido a uma cirurgia para reconstrução do trânsito intestinal, Bolsonaro está internado há dez dias no Albert Einstein, em São Paulo.

De acordo com os médicos que cuidam da recuperação do presidente, ainda não há uma estimativa para sua alta, mas isso não deve ocorrer antes da próxima segunda-feira (11).

"O presidente vai deliberar sobre a Previdência assim que estiver em condições totais de fazer as suas análises, de estabelecer com os seus ministros um padrão e um curso de ação que possa a partir desse estudo ser apresentado ao Congresso, disse o porta-voz.

Afirmação semelhante foi feita à Folha por um dos responsáveis pelas negociações, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni: "Vamos esperar o presidente", disse.  

A reforma da Previdência é considerada crucial pelo governo para colocar nos trilhos as contas públicas do país, que têm como estimativa um deficit de R$ 139 bilhões para este ano.

Uma versão inicial do projeto que circulou esta semana em Brasília apontava para unificação da idade mínima de homens e mulheres em 65 anos. 

O vazamento desagradou o governo já que este é um dos pontos em que não há consenso. Enquanto a equipe econômica, liderada por Paulo Guedes, quer uma reforma mais dura, os políticos advogam por um projeto mais brando.

Há um temor no Palácio do Planalto de que igualar a idade mínima das mulheres à dos homens possa gerar críticas do público feminino, que apresentou maior rejeição ao nome de Bolsonaro durante a campanha. 

Guedes também trabalha por uma proposta de transição do atual sistema previdenciário para um novo mais curta, enquanto o grupo liderado por Onyx quer estender esse prazo.

O texto está em fase final de construção e deve ser discutido com Bolsonaro a partir da próxima semana, o que depende de liberação médica.

De acordo com Rêgo Barros, a estimativa é de que mesmo após a alta o presidente siga com jornada reduzida de trabalho, para garantir sua recuperação da terceira cirurgia em decorrência de uma facada.

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