Descrição de chapéu The Wall Street Journal Balanços

Tombo da Kraft Heinz leva fundo de Warren Buffett a prejuízo bilionário no 4º trimestre

Berkshire Hathaway é dona da empresa ao lado de trio de brasileiros que inclui Jorge Paulo Lemann

Nova York

O mais famoso investidor do mundo teve um de seus piores anos em 2018.

O fundo Berkshire Hathaway, do megainvestidor Warren Buffett, afirmou que perdeu US$ 25,4 bilhões (R$ 94,7 bilhões) no quarto trimestre do ano passado, devido a uma inesperada perda no valor das ações da Kraft Heinz, que chegou a 27,46%, e a perdas nominais no valor dos investimentos.

A Kraft Heinz é controlada pelo fundo 3G, dos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, e pela Berkshire Hathaway. No Brasil, o portfólio de produtos da empresa inclui ketchup, mostarda e maionese da marca Heinz, entre outros.

A empresa de alimentos, a quinta maior do mundo, contribuiu com US$ 2,7 bilhões (R$ 10,1 bilhões) para a perda do Berkshire in 2018, ante o lucro gerado de US$ 2,9 bilhões (R$ 10,8 bilhões) em 2017. 

Na quinta (21), a Kraft Heinz reduziu o valor de algumas de suas maiores marcas, o que a levou a fazer uma baixa contábil de US$ 15,4 bilhões. Além disso, revelou uma investigação que está sendo conduzida pela SEC (Security Commission Exchange, a CVM americana) e reduziu a previsão de pagamento de dividendos.

Como resultado, as ações da empresa caíram 27,46% na sexta (22) na Bolsa de Nova York.  Por tabela, a Berkshire também foi afetada e perdeu US$ 4 bilhões em valor de mercado.

O lucro operacional do Berkshire foi de US$ 5,7 bilhões (R$ 21,3 bilhões) no período, alta ante os US$ 3,3 bilhões (R$ 12,3 bilhões) registrados no quarto trimestre de 2017. Os ganhos vieram do lucro com investimentos em rodovias e no setor de energia.

No ano de 2018, o lucro operacional foi de US$ 24,8 bilhões (R$ 92,5 bilhões), um recorde, de acordo com a carta apresentada por Buffet a investidores neste sábado (23).

O investidor não sinalizou quem deverá sucedê-lo como presidente-executivo do fundo, mas fez elogios a  Ajit Jain e Greg Abel, afirmando que a decisão de promovê-los, no ano passado, a cargos mais proeminentes poderia ter ocorrido antes.

Jain e Abel foram promovidos no começo de 2018 a vice-presidentes e agora eles trabalham acompanhando o dia a dia das operações do Berkshire. Um deles deverá suceder Buffett como presidente do fundo.

“Berkshire é muito mais bem administrado agora do que quando eu supervisionava sozinho as operações”, escreveu Buffett na carta aos acionistas.

O lucro líquido do fundo foi de US$ 4 bilhões (R$ 14,9 bilhões) em 2018, queda na comparação com os US$ 44,94 bilhões (R$ 167,6 bilhões) registrados em 2017. Naquele ano, o lucro do fundo havia disparado com mudanças regulatórias que reduziram os impostos sobre investimentos em ações.

Os lucros do Berkshire são voláteis porque o fundo tem grandes fatias de ações de companhias como Wells Fargo e Apple. Uma nova norma de contabilidade que começou a valer no ano passado obriga o fundo a incluir ou deduzir do lucro líquido ganhos ou perdas com ações, mesmo que os papéis não tenham sido vendidos. 

Isso significa que a desvalorização das ações de uma companhia aparecem como prejuízo, mas nos períodos seguintes a perda poderá se converter em lucro, caso as ações voltem a subir, porque o fundo segue investindo na empresa.

Buffett tradicionalmente incentivava investidores a olhar o desempenho contábil do fundo, mas agora passou a afirmar que o valor de mercado é uma métrica mais relevante.

O Berkshire não teve um desempenho significativamente superior ao S&P 500, um dos principais índices americanos, nos anos recentes. Tampouco fez compras significativas nos últimos três anos, e Buffett tem tido dificuldades de encontrar companhias a preços razoáveis para comprar.

Como o Berkshire continua crescendo e acumulando dinheiro em caixa, Buffett está sob pressão para fazer aquisições ainda mais relevantes para elevar ganhos.

O dinheiro em caixa do fundo, que está na maior parte investido em títulos americanos, cresceu quase US$ 112 bilhões (R$ 417,8 bilhões), terminando o sexto trimestre acima dos US$ 100 bilhões (R$ 373 bilhões).

Buffett não sinalizou nenhuma meta de como aplicará esse volume crescente de recursos de seus acionistas. Ele disse esperar direcionar “muito do excesso de liquidez para negócios que o Berkshire irá deter permanentemente”, mas os preços continuam muito altos. 

The Wall Street Journal

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