Aviões Super Tucano da Embraer poderão fazer parte de parceria com Boeing, diz executivo

Companhia divulgou também prejuízo de cerca de R$ 30 mi no quarto trimestre de 2018

São Paulo | Reuters

Os aviões militares Super Tucano da Embraer poderão fazer parte da parceria montada pela companhia brasileira com a americana Boeing na área de defesa, afirmou nesta quinta-feira (14) o vice-presidente financeiro Nelson Salgado.

A Embraer, que aceitou vender o controle de sua principal geradora de recursos, a divisão de aviação comercial, para a Boeing, terá uma parceria com a norte-americana na comercialização do cargueiro militar KC-390, desenvolvido por sua divisão de defesa.

"A parceria em defesa não está limitada ao KC-390. É o foco inicial da parceria. Não existe restrição para o Super Tucano não ser tratado pela Boeing [na parceria]", disse Salgado em teleconferência com jornalistas, depois que a Embraer divulgou nesta quinta-feira prejuízo de cerca de R$ 30 milhões no quarto trimestre de 2018.

Salgado afirmou que a Embraer espera entregar 10 Super Tucanos em 2019 e além da primeira unidade do KC-390.

Segundo ele, as aprovações de autoridades de defesa da concorrência ao redor do mundo para a venda do controle da divisão comercial da empresa e a parceria no segmento de produtos militares devem ser concedidas até o final deste ano.

A Embraer reportou nesta quinta um prejuízo líquido de R$ 669 milhões (lucro líquido atribuído aos acionistas da empresa) no ano passado, ante lucro de R$ 850,7 milhões em 2017.

No ano passado, a receita líquida foi de R$ 18,7 bilhões, estável a 2017. Segundo a Embraer, o principal fator na conta foi a desvalorização do real durante o ano, que compensou a queda do número de entregas dos jatos comerciais e executivos, além da queda na receita de defesa e segurança

Em 2018 a companhia despachou a clientes 90 aviões comerciais e 91 executivos (64 jatos leves e 27 grandes). As entregas de jatos executivos ficaram abaixo da estimativa da própria empresa. 

"As condições do mercado global de jatos executivos, apesar de uma gradual recuperação, continuaram mais lentas do que o esperado. Combinado a isso, o crescente foco da Embraer na melhoraria de rentabilidade e preservação de preços, bem como o recente lançamento dos novos jatos executivos no segmento médio/super-médio (“Praetors”), que iniciarão entregas em 2019, levaram a Companhia a uma abordagem mais cautelosa para as entregas de jatos executivos em 2018", diz o relatório.

A companhia encerrou o ano com uma dívida líquida de R$ 1,7 bilhão, uma alta em relação aos R$ 1,076 bilhão de 2017.

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