BC diz que precisa de mais tempo para avaliar volatilidade dos mercados

Roberto Campos Neto disse que qualquer mudança de expectativa pela aprovação da reforma da Previdência provoca volatilidade

Mariana Carneiro
Brasília

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o BC precisa de mais tempo para avaliar os efeitos da recente volatilidade dos mercados na economia.

Em entrevista nesta quinta-feira (28), ele disse que o ruído aumentou no curto prazo. Mas salientou que, além das incertezas no front interno, com as dificuldades enfrentadas pela reforma da Previdência, o cenário externo também ficou mais turbulento, com expectativas de menor crescimento global, afetando economias emergentes como Turquia e Argentina.

"O Copom [Comitê de Política Monetária] tenta se abstrair dessa alta de frequência do mercado, onde há elementos de incerteza tanto na parte externa quanto na parte de reformas", disse.

Presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto
Presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto - Raphael Ribeiro/BCB

"As incertezas estão aí, temos observado o nível de ruído, mas o que podemos dizer é que vamos sempre reavaliar o cenário e vamos atuar sempre que necessário. O importante é que se tenha um planejamento de mais longo prazo, que não se influencie tanto pelo ruído de curto prazo." 

O presidente do BC disse que a reforma da Previdência é muito esperada e qualquer mudança da expectativa pela sua aprovação provoca volatilidade. Ele  evitou, porém, responder se isso pode afetar ainda mais o crescimento neste ano.

O BC, assim como os agentes do mercado financeiro, reduziram suas projeções de crescimento da economia brasileira neste ano.
 
Ao comentar sobre a decisão recente do Copom (comitê é formado pela diretoria do BC) de manter a taxa básica de juros em 6,5% ao ano, ele disse que a melhor expressão para definir a ação do BC é o curto prazo.

"Discutimos em relação ao 'timing' e a expressão que mais se enquadrava era curto prazo. Basicamente, não temos como tomar nenhuma medida no curto prazo e precisamos de mais tempo", disse.

Embora o BC tenha acionado um leilão de venda de dólares no mercado à vista nesta quinta, o presidente do BC negou mudanças na estratégia de não buscar influenciar a cotação da moeda.

"Vamos fazer intervenções visando suprir liquidez", disse.

A escolha pela operação no mercado à vista e não no mercado futuro, por meio de swaps, ocorreu em razão da avaliação do BC de que havia disfuncionalidades no mercado.

REFORMA E JUROS

Em audiência no Senado nesta quarta (27), o ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou que, com a reforma, a taxa de juros poderia cair, resultado da redução das incertezas sobre o futuro das contas do governo.

Para Campos Neto, no entanto, é difícil quantificar o efeito das reformas na taxa de juros no curto prazo.

"As reformas são importantes para a taxa estrutural de juros de longo prazo. É difícil quantificar a reforma no curto prazo, mas ela vai proporcionar uma visibilidade fiscal maior e aumento de credibilidade, e isso pode influenciar a taxa estrutural de juros", afirmou.

Para o BC, disse ele, o mais importante a se observar são os efeitos que a reforma da Previdência terá sobre as expectativas de investidores e empresários e como isso interfere nas variáveis econômicas.

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