Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro contraria montadoras e mantém livre-comércio de veículos com o México

A partir desta terça, acabam as cotas que regiam as exportações e importações de veículos entre os países

Raquel Landim
São Paulo

O governo federal confirmou às montadoras que o livre-comércio de carros e autopeças entre o Brasil e México começa a vigorar a partir desta terça-feira (19). Ônibus e caminhões não estão incluídos.

A decisão do governo Jair Bolsonaro (PSL) de contrariar o setor automotivo e acabar com as cotas que regiam o comércio de veículos leves entre os dois países foi antecipada pela Folha.

Em comunicado enviado às empresas no início da noite desta segunda-feira (18), a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) disse a seus associados que havia sido informada  sobre a decisão pelo Decex (Departamento de Comércio Exterior), subordinado ao Ministério da Economia.

Carros parados no pátio da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP)
Carros parados no pátio da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) - Fabio Braga/Folhapress

Ao mesmo tempo em que acabam as cotas de exportação e importação de carros entre Brasil e México, vai ser alterada a regra de origem. Só terão direito a cruzar a fronteira sem pagar tarifa carros com 40% de peças produzidas nos dois países. No regime anterior, esse percentual era de 35%.

Em meados de fevereiro, a Anfavea havia solicitado ao ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes, a manutenção das cotas por mais três anos, alegando que é mais barato produzir carros no México do que no Brasil.

A equipe econômica, no entanto, não via motivos para quebrar contratos e rediscutir o acordo como já havia sido feito em 2015 pela ex-presidente Dilma Rousseff.

Na visão dos técnicos do governo, o efeito no curto prazo será pequeno, pois o México não vem conseguindo exportar a totalidade da cota de veículos para o Brasil e vice-versa.

O livre comércio de carros entre Brasil e México acontece em meio a uma reorganização global do setor automotivo, que chegou ao Brasil com a ameaça e fechamento de fábricas.

No mês passado, a Ford anunciou que vai fechar sua fábrica de caminhões em São Bernardo do Campo (SP). Em janeiro, a GM também ameaçara encerrar atividades. Em resposta, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou uma política de incentivo tributário às montadoras.

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