Para pressionar governadores, Câmara ameaça passar regras de servidores para Assembleias

Estratégia foi traçada em reunião entre Maia, Guedes e líderes aliados ao presidente da Câmara

Thiago Resende
Brasília

Aliados do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), querem pressionar os governadores da oposição para que apoiem a reforma da Previdência.

A estratégia traçada em reunião com Maia e o ministro, da Economia, Paulo Guedes, nesta quarta-feira (13), prevê uma advertência aos oposicionistas: ou ajudam na aprovação ou os deputados vão repassar paras as Assembleias Legislativas as novas regras para aposentadoria de servidores estaduais.

Isso demandaria apoio político dos governadores da oposição, como os do PT, em seus estados.

A ideia é tirar da PEC (Proposta de Emenda à Constituição), por meio de uma emenda, a regra que impõe efeito imediato das mudanças também para os servidores dos estados. 

Um dos principais fiadores da reforma, Maia é a favor da articulação. Ele disse que o apoio de governadores de oposição é fundamental e citou a estratégia.

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Rodrigo Maia (DEM-RJ) - Folhapress

“Ninguém pode achar que o Congresso vai votar uma matéria dessa importência [...] que vai impactar os estados, sem o apoio, a ajuda dos partidos de esquerda, de centro-esquerda, senão você vai acabar tendo uma queda de braço e os deputados vão acabar colocando algum artigo na PEC dizendo que para valer [a medida] para os estados vai precisar que seja respaldado pelas assembleias legislativas. Esse tema não é ideológico”.

A resistência relatada por deputados é, principalmente, de governadores do PT no Nordeste, como Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte, e Wellington Dias, do Piauí.

Em uma das frentes para conseguir os votos necessários para que a Câmara aprove a proposta que endurece as regras de aposentadorias e pensões, Guedes e Maia almoçaram com líderes de partidos alinhados ao governo na residência oficial do presidente da Casa.

O ministro ouviu um panorama do apoio à PEC nas bancadas, defendeu o texto enviado pelo presidente Jair Bolsonaro e disse que, agora, o Congresso é responsável pela proposta.

“O ministro, primeiro, deixou claro que o convencimento que tem que ser feito é do parlamento. É o parlamento que diz se vai haver algum tipo de mudança, seja na idade mínima para mulheres ou no BPC [benefício assistencial pago para idosos], mas que o parlamento também tenha a consciência do custo disso”, relatou o líder do PPS, Daniel Coelho (PE).

Coelho também afirmou que, durante a reunião, foi ressaltada a necessidade de envolver os governadores na negociação pela reforma da Previdência.

“É impossível fazer uma reforma dessa sem a participação dos governos estaduais, das assembleias até porque vai estar se resolvendo o problema fiscal do Brasil e principalmente o dos estados.”

Maia elogiou Guedes, que, segundo o presidente da Câmara, tem se destacado na articulação política, especialmente nesta semana, quando o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) viajou.

“O ministro está indo muito bem na economia e na articulação política. O Onyx viajou três dias e ele ocupou bem esse espaço. Não sei se é definitivo ou se é apenas por um prazo de três dias”, disse o presidente da Câmara, alfinetando o ministro Onyx, com quem ele não tem boa relação.

A reunião de Guedes, Maia e alguns líderes, no entanto, gerou descontentamento com outros partidos que podem votar a favor da PEC.

“Esse é uma articulação discriminatória. Partidos menores, como Podemos, não foram convocados. O presidente da Câmara e o ministro têm que saber que não se aprova uma reforma da Previdência sem partidos como Podemos”, reclamou o líder da sigla na Câmara, José Nelto (GO).

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