Descrição de chapéu Governo Bolsonaro Previdência

Deputado vê desmobilização no Congresso em relação à Previdência

Governo tem que ir para linha de frente, diz Benevides Filho, cotado para relatoria do projeto

Flavia Lima
São Paulo

Há uma desmobilização muito grande no Congresso neste momento e a chegada da proposta dos militares com o novo plano de cargos acirrou os ânimos, disse nesta quarta-feira (27) o deputado federal e ex-secretário do Tesouro do Ceará, Mauro Benevides Filho (PDT-CE).

"Mas isso não quer dizer que a proposta dos militares seja ruim. Ela aumenta o tempo de contribuição, eleva o pagamento do ativo, faz com que a pensionista e o efetivo militar transitório recolham para a Previdência. Há avanços significativos", disse ele.

Para Benevides, é importante que o governo vá para linha de frente. "Foi lá, entregou [a proposta] e aí foi para o cine...", brincou ele, em referência à ida do presidente Jair Bolsonaro ao cinema nesta semana. "Precisamos de envolvimento até para recompor a estrutura de sua própria base", disse.

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Mauro Benevides Filho (PDT-CE) é deputado federal e ex-secretário do Tesouro do Ceará - Eduardo Anizelli-05.fev.19/Folhapress

Benevides, que foi cotado para presidir a comissão especial de análise da reforma, falou sobre o humor dos parlamentares em relação à proposta da Previdência. O deputado participou nesta terça de um evento na FGV (Fundação Getulio Vargas), em São Paulo. 

Ele disse que as mudanças no BPC, benefício para idosos pobres, na aposentadoria rural e até mesmo no sistema de capitalização proposto pela equipe de Bolsonaro não são bem vistas pelos parlamentares.

"E tem também a professora do regime próprio que sai dos 25 anos de contribuição para 40 anos. Não vai passar. Tem que aumentar de 25 para 30, para 35, vamos discutir. Mas não dá para passar de 25 para 40", disse ele.

Rediscutir os quatro pontos destacados, disse ele, são bastante relevantes para que a proposta possa seguir de maneira mais fácil e com maior tranquilidade, disse ele.

Com relação à grave situação dos estados nos gastos com servidores, Benevides, que foi secretário da Fazenda do Ceará, disse que acabar estabilidade é muito difícil, mas disse que já seria um "ganho extraordinário" convencer o STF (Supremo Tribunal Federal) a aprovar a redução da jornada de trabalho com a redução proporcional dos salários dos servidores.

Para ele, o ajuste fiscal não consegue ser vendido para as pessoas porque virou sinônimo de corte — e não um meio de dotar o setor público para atender às demandas da população.

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