Descrição de chapéu Previdência

Em seminário em SP, secretários de Fazenda reafirmam apoio à reforma da Previdência

"Não tenho nada contra servidor público, mas é uma noiva caríssima", diz secretário da Fazenda de Minas

São Paulo

Secretários de Fazenda de cinco estados (GO, MG, RS, AL e AM) reafirmaram nesta quarta-feira (27) apoio claro à reforma da Previdência e pelo menos dois deles, Minas e Rio Grande de Sul, o fizeram de forma incondicional.  

"Eu, estado de Minas, apoio a reforma da Previdência de modo incondicional. Sem ela, não há possibilidade de qualquer estado dar certo", disse o secretário de Fazenda, Gustavo Barbosa, em seminário promovido pela FGV (Fundação Getulio Vargas) e a consultoria Oliver Wyman em São Paulo.

Na mesma linha, o secretário de Fazenda do Rio Grande do Sul, Marco Aurélio Santos, disse apoiar a reforma da Previdência, sem qualquer contrapartida. "Todos os esforços políticos que o estado puder movimentar é a favor da reforma da Previdência", disse.

"Para todos os estados, a reforma da Previdência é fundamental e o Amazonas vai apoiá-la", disse o secretário de Fazenda do estado, Alex Del Giglio.

No caso de Minas, Barbosa disse que o estado gasta 77% do que arrecada com despesas de pessoal. "Não tenho nada contra servidor público, mas é uma noiva caríssima", afirmou ele, ao ressaltar que a idade média de aposentadoria no estado é de 50 anos para a polícia militar e 51 anos para professor.

 
"Nunca vi um processo de concentração de renda tamanho. São 22 milhões de habitantes em Minas Gerais sustentando 500 mil servidores", disse Barbosa. "Não corre o risco de dar certo." 

Para a secretária de Fazenda de Goiás, Cristiane Schmidt, os estados se perderam em meio a estatísticas fabricadas.  "A gente se perdeu quando a sociedade permitiu que números fossem fabricados. Enquanto não tiver transparência e critérios iguais entre os estados não teremos um diagnóstico correto", afirmou.

"Em Goiás, pensionista não entra na despesa com pessoal. Logo, meu dado oficial é irreal. As estatísticas não refletem a realidade", disse a secretária.

Segundo ela, a democracia atua em prol de algumas minorias. "O estado de Goiás não faz política pública para 7 milhões de habitantes, mas para 170 mil servidores. Somos administradores de folha de pagamento", disse.

"Não é que a gente não goste de funcionário público, mas é que a gente tem um problema e eles representam muito do nosso problema", afirmou.

O secretário de Fazenda do Paraná, Rene Garcia, disse que, além da folha de pagamento, o estado tem também um problema estrutural com o pagamento de precatórios. "A situação do estado não é diferente de um gestor de folha de pagamento", disse.

Com relação à reforma da Previdência, Garcia foi mais comedido. Disse que uma proposta que ajude os estados a gerarem caixa e reduza os efeitos dos inativos sobre as despesas é bem-vinda, mas que espera um projeto mais claro. "O que foi para o Congresso Nacional está sendo avaliado", disse. 

 
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