Limites de emissão de poluentes impõem carros elétricos na Europa

Montadoras podem receber mais de R$ 4 bi em multas se não reduzirem emissão de poluentes

Daniel Aronssohn
Genebra | AFP

O Salão do Automóvel de Genebra, na Suíça, que começa nesta terça-feira (5) —e abre na quinta (7) para o público—​, está dominado pelos modelos elétricos, prioridade das montadoras obrigadas a respeitar as normas europeias de emissão de poluentes.

Genebra se mostra uma exposição de carros elétricos, como os veículos urbanos de Citroën e Honda, os SUV das marcas de luxo Aston Martin, Audi e Mercedes, o coupé da Skoda e até mesmo um Fusca, da Volkswagen.

As montadoras também apresentam lançamentos como a versão elétrica do Peugeot 208 e o e-Soul, um crossover compacto da Kia.

"A introdução do veículo elétrico foi anunciada várias vezes nos últimos anos. Desta vez é algo crível", afirmou Ferdinand Dudenhöffer, diretor do Automotive Research Center, sediado na Alemanha.

Para ele, são duas as razões principais para isso: as novas limitações de emissão de CO2 que passarão a valer no próxiimo ano, para combater o aquecimento global, e o dieselgate, o escândalo de fraude nos motores a diesel da Volkswagen, que reduziu a participação de carros movidos pelo combustível nas vendas.

"Não haverá retorno ao diesel, então não há outro remédio que entrarmos rapidamente na era da eletricidade", disse Dudenhöffer.

Além disso, o carro elétrico está tornando indispensável na China, o maior mercado mundial, com impulso do governo.

Salão de Genebra, com veículos ainda cobertos antes da abertura oficial do evento
Salão de Genebra, com veículos ainda cobertos antes da abertura oficial do evento - Denis Balibouse/Reuters

Algumas marcas tradicionais como Renault, Nissan, Hyundai e Kia já vinham investindo nesses veículos, mas agora todas as montadoras se veem obrigadas a seguir o mesmo caminho.

"Na Europa, todos os fabricantes investem no elétrico, mesmo que não estejam convecidos, e apesar de venderem [os modelos] com prejuízo", resume Tommaso Pardi, diretor da Gerpisa, um grupo de pesquisas sobre o setor automotivo.

Multa

As montadoras estão sujeitas a multas de até 1 bilhão de euros (R$ 4,3 bilhões) se não respeitarem o limite médio de emissão de 95 gramas de CO2 por quilômetro por veículo a partir de 2020, segundo estudo da consultoria BCG.

"Se as montadoras não venderem veículos elétricos suficientes, estarão arruinadas pelas multas", advertiu o chefe do grupo francês PSA (Peugeot, Citroën, DS, Opel/Vauxhall), Carlos Tavares, em entrevista ao jornal francês Le Figaro. Ele comparou as metas de emissões a "uma ameça que apela a uma reação darwiniana".

O problema, segundo ele, é que o mercado de veículos elétricos ainda é embrionário. Embora seja favorecido por uma maior oferta de modelos neste ano, e principalmente no ano que vem, há um risco muito grande de oferta dirante de uma demanda muito fraca.

"Mais de 300 [tipos de] veículos elétricos estão previstos de agora a 2025, é muito considerável", afirmou Thomas Morel, diretor-adjunto da MKinsey.

Em 2018, havia 25 modelos elétricos disputando o público europeu, um mercado que representava apenas 1,3% do total, apesar de um aumento de 50% nas vendas sobre 2017, de acordo com a Jato Dynamics.
O mercado vai crescer, mas o volume seguirá pequeno no curto prazo, afirmou o especialista Flavien Neuvy. "Não sei o que as montadoras farão para respeitar as metas de CO2", disse.

A Nissan, com seu compacto Leaf, e a Renault, com o urbano Zoe, lideraram as vendas de carros elétricos na Europa em 2018. No mundo todo, quem lidera é a californiana Tesla, que virou uma especialista em modelos de alto nível movidos apenas por eletricidade.

Seu Model 3 é o modelo premium mais vendido nos Estados Unidos, e desde fevereiro está disponível na Europa.

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