Porta-voz ajusta tom e diz que Bolsonaro é parte da solução para Previdência

Após mal-estar, Otávio Rêgo Barros afirma que presidente se coloca 'ao lado do Congresso'

Talita Fernandes Gustavo Uribe
Brasília

Após desentendimentos do governo com o Congresso, o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, disse nesta segunda-feira (25) que o presidente Jair Bolsonaro se vê como parte do processo de aprovação da reforma da Previdência.

A declaração é um ajuste no tom que vinha sendo adotado pelo Executivo sobre a responsabilidade do avanço do projeto, considerado prioritário pelo Palácio do Planalto.

"O presidente fará todos os esforços necessários para que a proposta da Previdência avance sob a batuta agora do Congresso Nacional, mas entendendo que ele é parte também desta solução", disse Rêgo Barros.

Porta voz do governo Bolsonaro, Otávio Rêgo Barros, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto
Porta voz do governo Bolsonaro, Otávio Rêgo Barros, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira/Folhapress

Irritados com declarações do presidente em crítica à classe política e de que a responsabilidade pelo sucesso da proposta era do Congresso, parlamentares vinham cobrando comprometimento do governo  –e compartilhamento da responsabilidade– em relação à reforma.

"O nosso presidente se coloca ao lado do Congresso para juntos caminhar em prol da aprovação da Nova Previdência. O presidente entende, como percebe também parte do Congresso, a perene necessidade de que isso venha a ocorrer", afirmou.

Segundo ele, se isso não ocorrer, o Brasil vai mergulhar num "buraco sem fundo".

"Esse buraco sem fundo pode nos levar a uma desconstrução da sociedade e isso nós não desejamos e temos consciência que o nosso Congresso e nosso povo não deseja."

Sobre a troca de declarações duras entre Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o porta-voz negou que haja um clima azedo e disse que o presidente busca a paz.

"Embora o presidente não tenha sido boina azul [usada por integrantes da missão de paz da ONU], ele tem como lema 'tudo pela paz'. Ele procurará, como sempre procurou, a paz. Por meio da interlocução, convencer e até aceitar ser convencido sobre os pontos do Congresso", disse Rêgo Barros.

O porta-voz não soube confirmar se haverá um encontro entre o presidente e Maia nos próximos dias para pacificar a relação.

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