Descrição de chapéu Previdência Governo Bolsonaro

Mourão diz que se equivocou ao falar de economia na Previdência militar

Mais cedo, presidente interino havia dito que novas regras poupariam R$ 13 bi

Talita Fernandes
Brasília

Ao voltar para o Palácio do Planalto na tarde desta terça-feira (19), após participar de posse no STM (Superior Tribunal Militar), o presidente interino, Hamilton Mourão, disse que informou um valor errado sobre a economia para o sistema de Previdência dos militares.

Mais cedo, ele havia informado que o projeto de lei que vai alterar as regras para militares deve gerar uma economia de R$ 13 bilhões à União ao longo de dez anos. 

A assessoria de imprensa do presidente interino procurou jornalistas para transmitir uma declaração.

"Eu me enganei. O que prevalece é o número da área econômica. Lidei com muita coisa hoje de manhã e me equivoquei", disse.

A assessoria não soube informar o número correto e pediu que a reportagem procurasse a equipe econômica.

O vice-presidente general Hamilton Mourão, em Brasília
O vice-presidente general Hamilton Mourão, em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress

Ao deixar uma reunião na Câmara, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, falou que os números não estão fechados.

"Estamos debruçados sobre esses números, estamos terminando os últimos cálculos atuariais, existem algumas simulações", disse em reunião com a bancada do MDB.

"As alternativas todas contemplam superávit para o Tesouro durante e ao fim de dez anos", acrescentou ele, destacando que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) é quem baterá o martelo, nesta quarta-feira (20), sobre o formato final da proposta e seu impacto fiscal. 

A declaração fala desencontrada do presidente interino dada na saída do Palácio do Planalto, onde se reuniu na manhã desta terça com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, para tratar do projeto de lei.

Os dois deixaram o local confirmando que a ideia é levar o projeto na manhã de quarta-feira (20) para Bolsonaro.

O presidente está fora do país, em visita oficial aos EUA, onde se reúne com o presidente americano Donald Trump nesta terça e na sequência volta ao Brasil. 

Azevedo, escalado pelo governo para negociar o texto com os militares, disse que ainda estão sendo feitos os ajustes finais.

Já Mourão afirmou que não há o que ser concluído por parte dos militares, mas que falta uma chancela de Bolsonaro.

"Já está tudo ajustado, vai apresentar para o presidente amanhã [quarta-feira] para o presidente fechar esse pacote. Não tem nada que tenha que definir por parte do ministério da Defesa, só a decisão presidencial agora", afirmou.

A ideia do governo é entregar ao Congresso ainda nesta quarta o texto que modifica o sistema de aposentadoria para os militares, cumprindo a promessa de que o texto chegaria às mãos de parlamentares exatamente um mês da apresentação ao Legislativo da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que modifica o sistema de aposentadoria para todos os demais trabalhadores. 

Mourão repetiu ainda que será aumentada a alíquota de contribuição previdenciária dos militares dos atuais 7,5% para 10,5% em dois anos.

Segundo ele, esse patamar somará 14%, juntando a contribuição de 10,5% aos 3,5% que será cobrado sobre o plano de saúde. 

O presidente interino também reforçou a necessidade de escalonar o aumento da alíquota.

"Porque senão haverá uma redução salarial de imediato e o salário [dos militares] já esta baixo, vai aumentar em dois anos."
 

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