Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro convoca reunião de ministros e técnicos para discutir preços da Petrobras

Presidente interveio na política de reajustes, e companhia perdeu R$ 32 bi em valor de mercado

Talita Fernandes Danielle Brant
Brasília e São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro convocou uma reunião com ministros e técnicos para a próxima terça-feira (16) para discutir a política de preços da Petrobras.

O encontro foi marcado depois que Bolsonaro procurou na noite de quinta-feira (11) o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, para pedir que ele revisse a decisão de reajustar o preço do óleo diesel em 5,7%.

Participarão da reunião de terça os ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura) e Bento Albuquerque (Minas e Energia).

A interferência governamental na política de preços da petroleira provocou forte queda das ações, com perda de R$ 32 bilhões do valor de mercado da empresa. 

A reunião foi confirmada pelo porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros. Segundo ele, foi chamada pelo presidente diante da preocupação do impacto do ajuste do combustível.

"[O encontro de terça] caracteriza a necessidade do dirigente do poder executivo de identificar quais os aspectos que levam realmente às decisões que são tão importantes à sociedade", afirmou.

Rêgo Barros disse que o presidente conversou com Castello Branco, mas não confirmou se o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi consultado sobre a decisão de pedir a revisão do aumento do diesel. "O presidente não comentou se fez alguma ligação com o ministro Paulo Guedes", disse.

Também não ficou claro se, da reunião de terça-feira, sairá uma decisão sobre os preços do diesel. "A reunião, por princípio, é para tomar uma decisão. Mas se exigir um aprofundamento de alguns dados, naturalmente não será na terça-feira o resultado final."

Apesar da interferência do Palácio do Planalto, o porta-voz disse que, por princípio, Bolsonaro entende que o governo não deve interferir na gestão da petroleira.

"Por princípio, o presidente entende que a Petrobras, uma empresa de capital aberto, sujeita às regras de mercado, não deve sofrer interferência política em sua gestão. Aliás, uma das razões para a crise que vínhamos incorrendo em governos passados e que quase destruiu aquela empresa", afirmou.

Questionado sobre por que o governo nunca discutiu a política de reajustes da estatal antes, o porta-voz respondeu que, no passado, as decisões eram impostas à petrolífera. "Realmente nunca se discutiu, se impunha. É diferente. O presidente Jair Bolsonaro não impõe, ele discute. Ele busca as informações."

Rêgo Barros também não respondeu sobre por que o presidente nunca buscou conhecer a política de reajuste de combustível da Petrobras antes da intervenção desta quinta. Desde o início do ano, a estatal já promoveu 13 reajustes, sendo 10 para cima e três para baixo. No ano, o preço do diesel sobe 18,5%. 

O porta-voz também negou que o recuo signifique que o governo ficará refém dos caminhoneiros diante de futuras ameaças de greve. "O governo não é refém de ninguém, está aqui representando a sociedade e para conduzir o país para os rumos para os quais a sociedade deseja, não rumos transversos e equivocados do passado."

Afirmou que o presidente tem preocupação de encontrar equilíbrio no relacionamento com os caminhoneiros, que considera fundamental para o país. Rêgo Barros ressaltou que Bolsonaro não disse se pretende se encontrar com líderes da categoria, mas que não descarta a possibilidade.

"O governo já tem apresentado à categoria as suas preocupações com o asfaltamento das principais rodovias...no caso dos caminhoneiros, as posições de postos de descanso ao longo das rodovias federais. Essas questões de reajuste dos preços de combustível, estendendo de 15 a 30 dias. O cartão do caminhoneiro, que vai facilitar a manutenção por parte dos caminhoneiros e a aquisição do óleo diesel ao preço contratado no momento do frete."

Em nota, o Ministério de Minas e Energia afirmou que a decisão de suspender temporariamente o aumento do diesel foi da Petrobras, que acionou instrumentos para se proteger de prejuízos. A nota não cita a interferência do presidente.

"O MME reafirma seu compromisso de não intervenção no mercado, de defesa dos interesses do País nas questões energéticas, e, também, dos consumidores quanto a preço, qualidade e oferta de combustíveis. Dessa forma, seguimos em diálogo com os envolvidos na busca pelas soluções mais adequadas", informou, em nota.
 

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