De olho na genética, Expozebu é aberta com expectativa positiva em Uberaba

Marcações moleculares relacionam, por exemplo, gene com maciez da carne e produção de leite

Marcelo Toledo
Ribeirão Preto

Nos anos 70, a propriedade rural da família do pecuarista Claudio Sabino começou a investir em genética no Triângulo Mineiro. Desde então, o peso médio dos bois cresceu até 30% e os níveis de fertilidade, maciez da carne, produção de leite, gordura no leite e rendimento de carcaça só melhoraram.

Seu caso não é único. Cada vez mais pecuaristas têm investido em genética como forma de melhorar seus rebanhos e obter mais produtividade no campo.

Essas inovações serão apresentadas na Expozebu, que será aberta em sua 85ª edição neste sábado (27), em Uberaba, com exposição de animais vendidos por valores milionários. Nas próximas duas semanas, acontecerão 33 leilões de gado e shoppings de animais na cidade, 5 a mais do que em 2018. A previsão é que o faturamento global da feira alcance R$ 200 milhões, ante os R$ 176 milhões do ano passado.

Animais em pavilhões da Expozebu, em Uberaba, que começa neste sábado (27)
Animais em pavilhões da Expozebu, em Uberaba, que começa neste sábado (27) - Wilton Marciano/Divulgação

A mais recente das inovações é a genômica baseada em marcações moleculares, que tem como objetivo cercar regiões do animal com genes relacionados a maciez da carne, reprodução, produção de leite, teor de gordura do leite, minerais e rendimento de carcaça.

“Os animais [milionários] são resultado de décadas de escolhas, de seleções, de avanços genéticos. Eles vão entregar para o rebanho uma evolução muito grande. É um ganho acumulado, que não se perde”, disse Henrique Torres Ventura, superintendente adjunto de melhoramento genético da ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), que organiza a exposição e em 2019 completa 100 anos. A Expozebu vai até 5 de maio, no parque Fernando Costa.

No ano passado, o animal Landau da Di Gênio teve 50% dos seus direitos vendidos por R$ 1,26 milhão em um dos 28 leilões, que amealharam R$ 35 milhões.

Em 2017, o valor foi ainda maior: um clone da vaca Itália 4ª teve metade comercializada por R$ 1,464 milhão.

A expectativa agora –num setor que está otimista com a economia– não é que alguma cabeça de gado atinja valores como R$ 4 milhões, mas que mais animais sejam comercializados por valores acima de R$ 1 milhão.

As avaliações genéticas tradicionais, conta Ventura, são feitas com informações de genealogia e de provas zootécnicas, enquanto a genômica, lançada no ano passado em parceria com a Embrapa, avança para os marcadores moleculares.

“As provas tradicionais demoram um certo tempo para identificar reprodutores ideais. A genômica avança esse processo e, quando se substituem as gerações mais rapidamente, são maximizados esses ganhos genéticos.”

O zootecnista Sabino disse que sua família investiu na inseminação artificial a partir de 1972 e que os ganhos obtidos desde então são permanentes.

Ele consegue hoje ter cerca de 70% das fêmeas prenhas entre 12 e 14 meses de idade, índice que no passado era alcançado apenas em animais com 24 meses.

Além disso, cita o exemplo de uma vaca com alto potencial de leite e que deveria desmamar um bezerro com 250 quilos: “Se isso não ocorrer por falta de nutrição e o bezerro desmamar com 180 quilos, no próximo parto, se ela receber a nutrição adequada, vai conseguir desmamar de novo com 250 quilos, pois ela tem esse potencial inserido nela”.

Qualquer avanço genético, porém, só vai ser ter resultados se os pecuaristas investirem em bons pastos e manejo adequado de seu rebanho, segundo o setor.

Ventura afirmou que, na Expozebu, será o momento de ver os resultados dessa seleção, compartilhar tecnologia e de o criador expor o que tem feito nos últimos anos.

Além dos leilões e dos shoppings de animais –em que a negociação é feita diretamente entre o interessado e o vendedor, diferentemente dos leilões, em que vence o maior lance oferecido–, a Expozebu terá shows e uma série de eventos paralelos. A previsão é reunir 280 mil pessoas.

As raças zebuínas –entre elas brahman, guzerá, gir, nelore e tabapuã– representam 80% do gado existente no país, segundo a ABCZ.

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