Eldorado, da família Batista, diz que Paper Excellence violou Lei das S.A.

Acionista afirma que acusação é 'abominável pressão'

São Paulo

A Eldorado, companhia de celulose e papel controlada pela J&F, da família Batista, notificou um dos membros de seu conselho fiscal e a Paper Excellence, sócia da empresa, por violação da Lei das Sociedades Anônimas.

O documento diz que durante sua primeira reunião no órgão, em 18 de abril, Luís Felipe Schiriak manteve contato com advogados que representam a CA Investment, subsidiária da Paper Excellence em ações contra a Eldorado. 

Estocagem de eucaliptos na Eldorado, em Três Lagoas (MS) - Danilo Verpa - 13.set.12/Folhapress

A notificação afirma que o conselheiro foi instruído pelos advogados sobre como se portar e o acusa de violar o sigilo das informações.

"Schiriak agiu como procurador da CA Investment no conselho fiscal, quebrando seu dever legal de independência e fidelidade ao interesse da Eldorado", diz.

Para a Paper Excellence, a notificação é "uma abominável medida de pressão" contra o executivo. A empresa afirma que havia advogados da J&F na reunião, que Schiriak não consultou ninguém e que a holding quer limitar o direito dele “de consultar o advogado de sua escolha”.

A empresa diz que a Eldorado negou ao conselheiro o pedido de consultar um advogado sobre a ata do órgão. "A Eldorado violou uma decisão da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil]."

Entenda o caso

J&F e CA Investment estão em arbitragem por causa do controle da Eldorado —um negócio de R$ 15 bilhões. Hoje, o grupo dos Batista detém 51% da empresa, e os sócios, o restante.

A holding brasileira vendeu sua participação na empresa de celulose à Paper Excellence em setembro de 2017.

Uma das condições para a aquisição era que a compradora precisaria resolver parte das dívidas da Eldorado. A companhia de papel tem linhas de crédito cujas garantias são ativos do grupo J&F.

O prazo para que a alavancagem se resolvesse era 3 de setembro de 2018, sob a condição de que a Paper Excellece ficaria como minoritária. 

A Paper Excellence considera que a J&F passou a dificultar o pagamento das dívidas e não colaborar, e judicializou o caso.

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