Facebook reserva US$ 3 bi para cobrir multa

Rede espera ser autuada em investigação sobre violação privacidade de usuários

Jeff Horwitz
Nova York

O Facebook reservou US$ 3 bilhões (o equivalente a R$ 12 bilhões) para a multa que espera receber da Comissão Federal do Comércio (FTC, a agência de defesa do consumidor dos Estados Unidos) relacionada a questões de privacidade. A decisão afetou o lucro da rede social, apesar de a companhia continuar em expansão.

A empresa de Mark Zuckerberg obteve receita de US$ 15,08 bilhões no primeiro trimestre, aumento de 26% em relação ao mesmo período do ano passado. 

A reserva extraordinária para pagar a multa resultou numa queda de 51% no lucro, para US$ 2,43 bilhões.

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AFP

O ganho por ação foi de US$ 0,85 por dólar, ante US$ 1,69 no mesmo período em 2018. Incluindo o dinheiro agora reservado para o valor estimado como multa, o Facebook teria lucro por ação de US$ 1,89, valor acima média dos analistas consultados pela FactSet, de US$ 1,62.

O resultado agradou ao mercado, e as ações da empresa subiram mais de 8% no “after hours” (negociações que acontecem após o fechamento do pregão tradicional).

Ao anunciar seus resultados, o Facebook estimou que o custo do acerto com a FTC seria de entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões, ainda que tenha afirmado que não há garantia quanto ao momento do anúncio ou os termos do resultado final.

A FTC tenta determinar se o Facebook violou os termos de um acordo para resolver uma queixa anterior sobre a companhia, ao permitir que dados sobre dezenas de milhões de seus usuários fossem transferidos à Cambridge Analytica, consultoria política que trabalhou para a campanha eleitoral do presidente Donald Trump. 

Sob os termos do acordo, aprovado em 2012, o Facebook se comprometia a obter consentimento dos usuários antes de recolher dados pessoais sobre eles e de compartilhá-los com terceiros.

A companhia teve 1,56 bilhão de usuários diários ativos em todo o mundo, 8% a mais que o 1,45 bilhão do período em 2018.

A gigante da tecnologia anunciou que 2,7 bilhões de pessoas usam Facebook, WhatsApp, Instagram e Messenger a cada mês.

No entanto, foi quase zero o crescimento no número de usuários nos EUA, no Canadá e na Europa, mercados que geram 70% de sua receita. 

O crescimento mais rápido da companhia aconteceu na Ásia, onde o número de usuários avançou quase 4% ante o quarto trimestre de 2018.
 

The Wall Street Journal, traduzido do inglês por Paulo Migliacci

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