Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Mourão diz que partiu de Bolsonaro decisão de segurar preço do diesel e que interferência é 'pontual'

Vice-presidente afirmou que governo não deve repetir política adotada por Dilma Rousseff (PT)

Talita Fernandes
Brasília

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, confirmou que partiu do presidente Jair Bolsonaro a decisão de que a Petrobras recuasse do reajuste do preço do óleo diesel, na quinta-feira (11).

Segundo ele, a interferência nos preços da estatal é "pontual" e o governo não deve repetir política adotada pelo governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

"Toda decisão tem fatores positivos e negativos. Eu não tenho domínio dos fatos todos que levaram o presidente a tomar essa decisão. Eu não sei quais são as pressões que ele estava sofrendo ou a visão que ele tinha do que poderia acontecer nesse exato momento com esse aumento um pouco maior do diesel e que obviamente o levou a tomar essa decisão", disse Mourão em entrevista à rádio CBN na manhã desta sexta-feira (12).

As ações da Petrobras abriram em queda de mais de 5% nesta sexta, depois de a estatal petrolífera suspender o reajuste no preço do diesel horas depois de anunciá-lo, na quinta (11).

Durante a entrevista, Mourão disse que Bolsonaro deve ter optado pelo consenso e que certamente o presidente buscará nova linha de ação.

"Tenho absoluta certeza de que ele não vai praticar a mesma política da ex-presidente Dilma Rousseff no tocante à intervenção do preço do combustível e da energia", afirmou.

Segundo auxiliares de Bolsonaro, ele procurou o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, para discutir o assunto na noite de quinta (11). Pesou na decisão de interferir no preço do diesel o fato do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) ter informações de que as chances de nova paralisação dos caminhoneiros aumentaria se a estatal mantivesse a alta do combustível.

Com queda de popularidade em apenas três meses de governo, Bolsonaro busca evitar uma nova crise e vê na possibilidade de nova greve o risco de se repetir o cenário visto no país entre maio e junho de 2018, com falta de abastecimento em todo o país.

A medida tomada pelo presidente vai na contramão da política econômica liberal defendida pelo ministro Paulo Guedes (Economia), que está fora no Brasil esta semana para participar de reunião do FMI (Fundo Monetário Internacional) em Washington, nos EUA.

Para evitar um mal-estar e comparações com a política energética adotada nos governos do PT, o Palácio do Planalto trata a interferência como "pontual" e auxiliares dizem que novas medidas para conter a greve estão sendo estudadas pela equipe do presidente.

O mercado financeiro entendeu o recuo como uma interferência do governo Bolsonaro na estatal, algo que foi duramente criticado durante a gestão de Dilma Rousseff (PT).

Na quinta, a Petrobras havia anunciado o reajuste do preço do diesel em 5,7%, que seria aplicado a partir desta sexta. Horas depois, porém, a companhia afirmou que “em consonância com sua estratégia para os reajustes dos preços do diesel divulgada em 25 de março, revisitou sua posição de hedge [proteção] e avaliou ao longo do dia, com o fechamento do mercado, que há margem para espaçar mais alguns dias o reajuste no diesel”.

Mourão disse ainda acreditar que esse é um fato isolado.

"Justamente pelo momento que estamos vivendo. Eu tenho visto alguns dados que tem me chegado da pressão do lado dos caminheiros. Acredito que o presidente está buscando a melhor solução para equacionar o problema", afirmou.

O vice-presidente disse ainda que "em tese" há uma contradição de um governo que se autodenomina como liberal na economia fazer uma interferência na política de preços de uma estatal.

"Em tese é. Agora, como eu respondi, os fatos que chegaram ao conhecimento do presidente não são do meu domínio, portanto, eu acredito no bom senso dele e que tomou essa decisão buscando o bem maior."

Mourão não soube confirmar se a decisão de segurar o preço do diesel teve relação direta com a possibilidade de uma nova greve de caminhoneiros, como aconteceu no primeiro semestre de 2018, mas trata o tema como uma possibilidade.

"Já faz algum tempo que esses dados (de possível greve de caminheiros) vêm chegando. Mas são dados, não há uma confirmação. Então temos que tratar com cuidado e eu acho que foi essa a visão do presidente e de quem o assessorou nessa decisão."

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