No Twitter, Bolsonaro fala sobre ingerência no preço do diesel

Presidente confirma ter ligado para chefe da Petrobras, mas nega ser intervencionista

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltou a dizer na noite desta sexta-feira (12), no Twitter, que ligou para o presidente da Petrobras quando soube do aumento de 5,7% no óleo diesel.

"Liguei para o Presidente da Petrobrás preocupado com o percentual num nível sequer previsto para a taxa de inflação do corrente ano", escreveu.

Bolsonaro também afirmou que a política do governo é de "mercado aberto e de não intervenção". Ele disse que a suspensão do reajuste foi temporária e que convocou os responsáveis pela política dos preços do diesel para uma reunião. 

Os ministros Paulo Guedes (Economia), Tarcísio de Freitas e Bento Albuquerque (Minas e Energia) também foram chamados para a reunião, segundo o tuíte do presidente. 

Guedes está nos Estados Unidos e, mais cedo, deu a entender que não havia sido informado sobre a intervenção.

Ainda nesta noite, Bolsonaro publicou o vídeo no qual diz não praticar uma política intervencionista. "Eu não vou ser intervencionista, não vou praticar política que fizeram no passado, mas eu quero os números da Petrobras. Tanto que na terça-feira eu convoquei uma reunião para eles me esclarecerem porque 5,7% de aumento, quando a inflação está abaixo de 5%".

No vídeo, o presidente ainda diz que pedirá explicações sobre "quanto custa um barril de petróleo tirado aqui no Brasil, quanto custa lá fora, onde é que nós refinamos, a que preço. Eu quero o custo final".

Ele também citou a política de ICMS dos estados. "Temos que ver de quem é a responsabilidade, por que o país não pode continuar com essa política de preços altos dos combustíveis".

O presidente negou que irá mexer nos preços por meio de imposição ou "canetaço". 

Após Bolsonaro ordenar a suspensão da alta, a Petrobras perdeu R$ 32,4 bilhões em valor de mercado. A medida do governo assustou o mercado, que colocou nos preços das ações o receio de que intervenções se tornem a regra, e não a exceção.

Foi a maior queda percentual da companhia desde 1º de junho de 2018, quando Pedro Parente renunciou ao cargo de presidente da estatal, em meio à pressão para mudança na regra de reajuste dos combustíveis, por pressão do governo.

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